Há 10 anos você não utilizava o MSN, o Orkut era palavra inimaginável, e o telefone celular mais parecia um trambolho, não? Em 2008, vivemos conectados, fazemos dos e-mails e redes de relacionamento formas de comunicação e o celular funciona até como despertador, correto?

Com mais de 20 anos de profissão, o professor, pesquisador e palestrante motivacional José Lievore dispara: as parafernálias e ferramentas lançadas para ajudar, só tornam o homem moderno mais infeliz.

Em entrevista à FOLHA, Lievore, que contabiliza passagens por marcas como Grendene, Topper, Xuxa e Angélica, evoca o companheirismo, a atitude e o amor.

Por que as pessoas estão mais infelizes?
Penso que a correria dos dias atuais, que impõe metas, objetivos e a busca pelo dinheiro, aliada à internet, Orkut, telefone celular e demais ferramentas está fazendo as pessoas pirar. Hoje estamos esquecendo de viver. Ninguém mais joga bola, solta pipa, beija na boca, está faltando qualidade de vida.

As parafernálias nos fazem infelizes?
Essas ferramentas foram criadas para nos favorecer, mas, na verdade, essa tecnologia e facilidade de comunicação nos tornaram introspectivos. Não damos mais bom dia, não nos falamos mais. Tomamos café às pressas, almoçamos no self service e, consagrados ou não, estamos mais infelizes. Está faltando companheirismo, atitude, amor.

Há uma receita para a felicidade?
Não. O que há, de fato, é um conjunto de atitudes a serem tomadas, como, por exemplo, passar a ver quem está ao nosso lado, acordar de bom humor, em vez de notar, diante do espelho, um pé-de-galinha e transformá-lo em um galinheiro inteiro. Em se tratando da felicidade, os detalhes fazem toda a diferença.

E o sucesso, como obtê-lo?
Por meio da atitude. Sucesso não existe, o que existe são ações, comunicação e planejamento. Estamos na época dos vestibulares e não posso deixar de fazer a analogia: como um jovem que passou três anos enrolando pode ser aprovado? É impossível. A geração ''control c + control v'' precisa acordar e, além de estudar, cuidar de sua apresentação, de sua postura, de sua capacitação. Sucesso é consequência de uma história. Obama não é presidente dos EUA por acaso. Houve planejamento, prospecção e isso faz parte do negócio. Somos consultores de nosso sucesso desde que nos preparemos para isso.

Diante desse noticiário negativo em torno da crise mundial ainda é possível triunfar?
Os EUA estão quebrados há dez anos. Na verdade, o Brasil, em que pese a corrupção do Governo federal, está muito bem, obrigado. Temos uma equipe econômica extraordinária, mas não uma política agrícola adequada. No geral, o que nos falta é um governo de ponta. Precisamos de pessoas sérias, comprometidas, para sermos passados a limpo, num país em que 3% das pessoas chegam às universidades e 1% têm pós-graduação. Na China, no Japão, temos um sem fim de pesquisas. Por aqui, meia dúzia. O sucesso passa pela mudança de comportamento, com muito estudo, ralação e bom uso do tempo.

Mas não vamos nos tornar máquinas humanas mais uma vez?
Não. A vida tem a cor que a gente pinta. Temos que colocar o coração no trabalho, não a ponto de nos transformarmos em robôs viciados em trabalho. Tudo passa pelo planejamento. Nada impede a pessoa de ir à praia, de beber sua cerveja, mas devemos ser donos de nossas rotinas. Você é responsável por suas ações e hoje está cada vez mais fácil não cometer erros.

E vemos um festival deles...
Exato. Esses dias vi uma mãe deixando seu filho dentro do carro enquanto ia ao mercado, um absurdo. E os abusos sexuais e crimes contra crianças no Paraná? Sem contar que a juventude está perdida: sexo e orgasmo são consequências do amor e o que mais vemos entre a geração que quer ''pegar'' e ''ficar'' é a completa banalização. A sociedade clama pela preparação, pela atenção e pelo romantismo e não por um sem fim de jovens que engravidam para sair de casa. Está faltando respirar fundo e pensar.

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