Sociedade em risco
Tiros em pleno dia assustam crianças atendidas por uma creche de Londrina, instalada em bairro não muito distante da região central. Vinte minutos de disparos no momento em que os pequenos tomam café. Três projéteis atingem o prédio que, pelo testemunho de vizinhos, é alvo de fogo intenso de traficantes de drogas. Cerca de 20 tiros são disparados.
A notícia está no caderno Folha Cidade de hoje. O prédio alvejado, que não por ironia, mas por convicção dos profissionais que nele atuam, tem o nome de Núcleo de Convivência Viva a Vida, está localizado num dos bairros onde a violência se permitiu entrar e ficou, por falta de ações que no início tornassem a ação criminosa inviável naquele local. O Jardim Nossa Senhora da Paz, na zona oeste da cidade, era antes uma favela.
Pode-se invocar teorias e dizer que essa violência, que coloca em risco a vida de crianças, tenha raízes sociais. Não se nega isso. Mas a ausência do Estado com ações eficazes contra o crime, principalmente em se tratando do tráfico de drogas, também não pode ser negada.
Eis um problema de todos. Porque se naquele bairro o bando atira em prédio que abriga vidas, no resto da cidade semeia, sustenta e lucra com o vício, que também acaba com vidas. À sociedade, cabe o papel de cobrar ações do Estado, pois o cidadão, como eleitor e contribuinte, cumpre o seu papel e tem direito à segurança.
Walter Ogama





