Este Jornal tem buscado ouvir o prefeito Nedson Micheleti sobre o delicado drama da greve dos servidores municipais, mas não o localiza e também não recebe resposta dos recados deixados. Completam-se 35 dias de paralisação, e agora com as consequências já assumindo grande proporção. Lideranças de classes profissionais ouvidas pela Folha de Londrina assumem posição de reação ao comportamento das duas partes em litígio - o presidente do sindicato da categoria e o prefeito - e levam isto à conta da ausência de diálogo. Com toda a certeza já há grevistas fartos da greve e desejando voltar ao trabalho, com ou sem obtenção dos 27% de aumento salarial reclamado, mas temem o patrulhamento ideológico por parte do sindicato e dos colegas que persistem no impasse. O presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, Nelson Brandão, declara que o setor da construção está parado em certos segmentos, como o da concessão de ''habite-se'', que é atribuição da Prefeitura. Ele cobra do prefeito uma demonstração pública de que - se for esta a verdade - não há recursos para o aumento solicitado. Porque isto ainda não foi feito, e não apenas esse dirigente o reclama mas também a população. E o chefe do Executivo se omite. Se não há meios - argumento do prefeito no início da greve, ademais afirmando que tem de obedecer o que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal - números precisam ser mostrados. Estando com razão, o governante ganhará o apoio da comunidade - que é afinal a que sustenta a folha de pagamento desses servidores. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Rubens Benedito Augusto, propõe que se chame a sociedade para ajudar as partes a solucionarem o problema. A seção regional da Ordem dos Advogados do Brasil, pela palavra de seu presidente José Carlos da Rocha, diz que a única saída é o diálogo. Ele crê que há uma forma de conceder ao menos alguma coisa aos grevistas reivindicantes. E diz: ''Estamos pedindo que se esfriem as cabeças, para chegar a um consenso''. O titular do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Uzier de Carvalho, também é favorável à convocação de lideranças comunitárias para a tentativa de solucionar o impasse. Afirma que a greve está refletindo negativamente no comércio, porque naturalmente o poder de compra se retrai, ao menos de parte dos grevistas/consumidores. Uma situação de greve é sempre de incerteza. Ele sugere a criação de um conselho da comunidade para examinar a situação e tornar pública a revelação de valores, ou seja, se o Município tem ou não condição de dar algum aumento salarial. Desde que a paralisação se instalou, a 7 de agosto, não houve nenhuma negociação entre as partes, mas apenas afirmações públicas de uma e de outra. Isto é um absurdo, parecendo que se vive em terra de surdos-mudos. O prefeito Nedson Micheleti precisa aparecer, convocar as representatividades sociais, mostrar cifras e, de forma conjunta, discutir com o sindicato. Mas se o prefeito não se mobiliza, então que a sociedade o procure e exija que ele se manifeste.

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