Sociedade civil e representação política: apoiar para fiscalizar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Com algumas ressalvas, é possível comemorar o resultado das eleições legislativas sob o ponto de vista da nossa representatividade em Brasília e Curitiba.
A 56ª Legislatura da Câmara Federal e a 19ª Legislatura da Assembleia Legislativa terão a partir de janeiro oito cadeiras ocupadas por moradores da região - quatro em cada casa.
Nas duas legislaturas anteriores, a região ocupou quatro (iniciada em 2011) e seis (em 2015) cadeiras, o que mostra um gradual ganho de espaço em termos numéricos.
É a primeira "safra" de um processo que deve se aprofundar neste novo ciclo. A frente que se formou no movimento Melhor Pra Nós pretende fazer um trabalho de acompanhamento das duas bancadas, garantindo um diálogo permanente com os deputados, sempre defendendo a ideia da participação política dos eleitores ao longo do mandato.
Dos oito representantes que ocuparão cadeira a partir de janeiro, metade estreia no parlamento. A maior parte do grupo é jovem - cinco têm menos de 35 anos.
Embora seja positivo contar com uma bancada jovem e vibrante - a renovação dos quadros políticos é mais do que necessária, lamentamos a perda de dois deputados experientes e com excelente trânsito nos corredores dos três poderes - Alex Canziani e Luiz Carlos Hauly.
Ou seja, temos mais cadeiras, mas corremos o risco de que a bancada tenha menos desenvoltura na defesa dos interesses da região.
Portanto, cabe à sociedade civil se manter bem informada sobre as rotinas parlamentares sem, contudo, se eximir da sua obrigação de auxiliar cada um dos mandatos no que for preciso.
Sim, nos manteremos vigilantes, mas também vamos ajudar na capacidade de articulação e na construção de pautas que conjuguem os interesses dos grupos políticos representados na bancada com os interesses da maioria da população.
Queremos, por exemplo, manter e fortalecer a Comissão de Infraestrutura, uma instância multi-institucional que mostrou grande efetividade na solução de muitos pleitos da região junto à Assembleia Legislativa e ao governo estadual.
Poderemos replicar o modelo para organizar o diálogo com o governo federal e simplificar os caminhos para nossas reivindicações junto aos ministérios.
A sociedade civil tem, inclusive, capacidade técnica para recomendar acessos às linhas de crédito específicas e estabelecer protocolos de interesse público para a escolha de prioridades de investimentos, seja nos programas de responsabilidade dos ministérios ou na elaboração de emendas ao Orçamento.
Brasília e Curitiba vão respirar novos ares a partir de janeiro. Com novas peças no tabuleiro político, há um campo amplo para a atuação das novas forças políticas.
Neste novo Brasil e neste novo Paraná, as entidades da região de Londrina vão trabalhar para que tenhamos um quinhão à altura da nossa inegável importância na esfera estadual e federal.
E trabalharemos para que nossos representantes tenham poder de persuasão junto aos colegas congressistas para a aprovação de uma agenda reformista que modernize o Estado. Esta é a maior prioridade para os brasileiros de todas as regiões.
Claudio Tedeschi é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br



