Ontem pela manhã, a repórter Maranúbia Barbosa fez o que, no jargão jornalístico, costuma-se chamar ‘‘uma matéria de vivência’’. Ela experimentou a sensação de centenas de passageiros, motoristas e cobradores das empresas de transporte urbano em Londrina, que, assombrados com o alto número de assaltos a ônibus, cruzam os dedos ao iniciar o percurso. Pouco depois das 8 horas, a repórter tomou o ônibus da linha 314 – que liga o centro à zona oeste, a preferida dos marginais – e viu o medo estampado no rosto dos viajantes. No ano passado, foram 468 assaltos a ônibus da Grande Londrina, Francovig e TIL. Só nos três primeiros dias deste ano, 17. Mais do que ninguém, motoristas e cobradores – alvos preferidos dos bandidos – estão preocupados. E denunciam a nova face da violência urbana. ‘‘A linha que separa o assalto e o assassinato é fina’’, concluiu a repórter, após ouvir relatos assustados no ‘‘passeio’’ de uma hora e meia entrecortado por trechos de terra batida e paisagem miserável. O motorista que viveu a experiência de ser assaltado três vezes conta à repórter que ‘‘sentiu o cheiro da morte’’. A impressão de um passageiro, também vítima da ação dos bandidos, é a de um ‘‘pesadelo’’. Outro puxa a jornalista já fora do ônibus para denunciar, receoso: policiais se encontram com traficantes para fumar maconha perto de sua casa. ‘‘Vou pedir socorro a quem?’’, pergunta. A resposta pode estar com o pedreiro que sacoleja na parte traseira do coletivo: ‘‘A periferia de Londrina está nas mãos de Deus’’.

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