A globalização é a ‘‘bola da vez’’ nas atenções e preocupações nos meios políticos, universitários e empresariais. Na população em geral, está gerando angústias e incertezas. A questão é: muito se fala e se escreve sobre globalização, mas pouco se conhece desse fenômeno ainda muito recente.
No Brasil, a abertura do mercado ao comércio internacional provocou o primeiro choque de competitividade das empresas nacionais, em função do aumento nas importações tanto de bens de capital como de consumo, com melhores preços e qualidade.
A estabilização da moeda em 94 colocou o País como um dos mercados emergentes mais atrativos, captando enormes fluxos de capital na economia real. Isto pode ser constatado pelo crescimento destes investimentos que evoluíram de US$ 1,3 bilhão em 93 para US$ 31,3 bilhões em 99. Este foi o segundo choque de competitividade para empresas locais devido à entrada de novas empresas, e expansão das operações das multinacionais que já operavam em nosso mercado.
O novo ambiente empresarial, marcado pela intensa competição, está afetando profundamente as empresas locais. Pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em fevereiro de 2000 revelou que 54% das empresas nacionais não se sentem preparadas para competir em mercados cada vez mais globalizados. Esta informação aliada a uma pesquisa informal que aponta que 70% das empresas nacionais não chegam à segunda geração, demonstra a gravidade e a dificuldade de empreendedores e dirigentes nacionais para prepararem suas empresas para atuar nesta nova realidade.
Um aspecto pouco comentado e que explica em parte as estatísticas citadas, é a qualidade do gerenciamento das empresas nacionais. Décadas de proteção ao mercado e altas taxas inflacionárias provocaram um nanismo na habilidade gerencial nos dirigentes nacionais, que se tornaram mestres das finanças.
Ora, se nossas empresas foram obrigadas a começar a competir de 1990 em diante, fica claro que existe uma defasagem de know-how gerencial em relação às empresas de economias que se integraram no comércio internacional dos anos 70 em diante. Superar este atraso é sem dúvida um dos principais desafios enfrentados por dirigentes das empresas brasileiras.
E de que forma irão conseguir? Enfrentando e defendendo cada milímetro dos mercados em que atuam. A perfeição em qualquer atividade humana só pode ser alcançada com a prática e a utilização de técnicas e conhecimentos atualizados.
Na área de gestão de empresas este princípio não é diferente. Portanto, para ser competitivo é imprescindível competir! O processo de melhoria da competitividade empresarial necessita passar por estágios, ultrapassar o temor que o novo desperta e aceitar os riscos que são inerentes às mudanças.
Para qualquer dirigente de empresas o primeiro e o mais importante passo é refletir sobre seu próprio desempenho, e o ambiente em que atua sua empresa. Esta auto-análise só será bem-sucedida caso tenha coragem e conhecimentos para quebrar os paradigmas que sempre orientaram sua atuação. A partir desta reflexão é possível identificar os pontos vulneráveis de seu desempenho pessoal e de sua empresa, e definir o que e como fazer para mudar.
Este é o início de qualquer planejamento estratégico, que deve ser a bússola que norteia o negócio, ou seja, definir os objetivos a serem alcançados, como os recursos internos serão combinados e utilizados através de estratégias e planos de ação e, não menos importante, como serão implementados e controlados.
Foi-se o tempo em que uma empresa poderia ser lucrativa sendo tocada exclusivamente no dia-a-dia. Em tempos de globalização e de hipercompetição pelos mercados, o planejamento é artigo essencial para qualquer negócio prosperar. Em resumo, empresário e executivos necessitam abolir de seu vocabulário e da cultura de suas empresas a expressão ‘‘tenho que matar um leão por dia’’. Esta expressão é uma ‘‘pérola’’, pois reflete a incapacidade gerencial de planejar, organizar e priorizar trabalhos.
- EDUARDO BASSI é consultor de empresas em São Paulo e autor dos livros ‘‘Empresas Locais e Globalização’’ e ‘‘Globalização de negócios - Construindo estratégias competitivas’’
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