Alguns empresários insistem em praticar a cultura atrasada de ganho fácil. Preferem focar seus esforços na gestão tributária, por exemplo, na maioria das vezes até infringindo leis, discutindo recursos, apresentando defesas e procurando ganhar tempo com ações intermináveis na Justiça. No entanto, se esquecem do principal: focar em seu negócio principal.
Esses empresários esquecem de uma regra básica para sobrevivência: produzir um produto sem desperdício, com qualidade (que é obrigação e não mais um diferencial competitivo) e alta produtividade, com respeito aos funcionários, de forma a encantar seu cliente todos os dias. Não é muito mais simples? O cliente poderá até pagar um preço mais justo por isso.
Quando o empresário planeja um negócio, as regras de tributação são claras. Portanto, ele sabe onde está pisando. Se sabe, como alegar desconhecimento depois? Fica, então, tentando transformar sua incapacidade de gerência do seu negócio em artimanhas para ganhar sem pensar, sem produzir com qualidade e o pior não respeitando clientes e funcionários. Monta-se um negócio, produz-se de qualquer jeito e o pior não dá a mínima para o cliente. Aquele velho ditado: quem não tem competência que não se estabeleça.
Na década de 50, a Toyota estava totalmente destruída pelo fracasso da Segunda Guerra. Precisou, por questão de sobrevivência, apelar para todo e qualquer tipo de busca constante de produtividade e qualidade para se reerguer das cinzas. Foi a mais pura demonstração, no mundo dos negócios, de agir rápido para sobreviver.
Um engenheiro chamado Taiichi Ohno, responsável pela criação do Sistema Toyota de Produção, dizia para seus comandados: ''Tudo que estamos fazendo é olhar para a linha do tempo, desde a entrada da matéria-prima até o recebimento pelo produto acabado, reduzindo este tempo e todo e qualquer processo que não agrega valor''.
Em resumo: deve-se eliminar tudo ou pelo menos quase tudo neste tempo que seja desperdício e que evidentemente o cliente não pague por isso. As empresas se esquecem disso. Olham tão-somente possíveis ganhos na aquisição da matéria-prima, matando seu fornecedor. Na outra ponta vivem uma briga constante com o mercado, tentando mudar a ordem natural das coisas, pois hoje o cliente/consumidor paga o que acha justo e ponto final.
As empresas não enxergaram ainda que a grande sacada está dentro de seu processo: a maneira como são conduzidos os processos de produção. A maneira como é encarada os vários tipos de descartes nos processos. Algumas até acham normal descartar um determinado percentual do processo total e não buscam solucionar este ou aquele problema e, simplesmente, consideram em suas complexas planilhas de formação de preços estes percentuais. A maneira como são tratados os funcionários. A maneira como o cliente é tratado. A maneira como são resolvidos os problemas. Em algumas estes são jogados para debaixo dos tapetes.
Para aqueles empresários que desejam que seu negócio sobreviva no mundo de hoje, algumas dicas. Qualidade: é obrigação. O cliente: lembre-se, ele é o rei, é o que importa. Dá nos nervos entrar em um restaurante, livraria, farmácia, banco, padaria e dar de cara com aquele funcionário que brigou com o mundo. Será que ele e mesmo o proprietário ainda não enxergaram que eles só existem em razão da nossa vontade em entrar no estabelecimento deles? Produtividade: produza um produto sem qualquer tipo de desperdício em um tempo recorde, respeitando as leis trabalhistas e os funcionários. Na Toyota eles têm um ditado: ''Seja duro com os processos e gentis com as pessoas''.
É simples, não é? Talvez, não seja fácil, mas é sim simples. Demanda vontade de crescer, de acertar, respeito com o próximo e comprometimento com seu negócio e com a sociedade.

JÚLIO CÉSAR PANEGUINI CORRÊA é administrador de empresas em Santo Antônio da Platina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas).
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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