Sobre ter ou ser
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de fevereiro de 2003
Walmor Macarini 
O importante não é ter ou ser, mas auto-saber-se. Estranho que pareça o termo, é este mesmo. Auto-saber-se é um estado de compreensão do que se é. E nessa condição, o auto-amor se expande, sem avaliação alguma acerca disso, mas algo que simplesmente é. Quando triunfa esse amor próprio, espontâneo e cristalino e sem resquícios de ego, triunfam todos os demais amores. Ao se alcançar o autoconhecimento, o ter e o ser passam a ser atributos naturais e sem grande relevância.
Saber o que se é, eis o enigma decifrado. É quando passam a cessar as autocondenações e muitas das atribulações, porque vão chegando as respostas. Saber o que se é resulta em não medir-se pelas condições aparentes do corpo físico, porque este é apenas um componente temporário da realidade. Cada ser individual tem a dimensão do universo e não se compõe apenas da simples matéria carnal, limitada em sua substância. A forma como cada qual se vê e se imagina é apenas um aspecto.
Havendo alcançado a consciência da sua verdadeira dimensão, o ser saberá que não é somente o que lhe revela a imagem tridimensional esta da condição terrenal em que vive. Terá se autoconhecido ao conscientizar-se da existência e da prevalência de seu Eu Superior (o Reino dentro de cada um, como falou o Mestre). Saberá o que é. E compreendendo a realidade dessa dimensão maior, se extasiará com ela e passará a auto-amar-se, pela contemplação de sua própria magnitude. Ter e ser, nos limites das medidas terrenas, passarão então a ter valor insignificante diante de tamanha majestade do ser multidimensional. Este o sentido da frase ''Conhece-te a ti mesmo''.
A porção inferior, representada pela estrutural carnal, está imersa no obscurantismo e na dúvida, mas a porção superior está na plenitude da luz e tudo sabe. A parte do eu menor representada pela fisicalidade, pelos sentidos e pelos dotes da personalidade daria um grande salto se recorresse com frequência à porção superior, o Eu Maior, que costuma manifestar-se pela intuição e por outros sinais, que cada um vê e sente mas costuma não dar importância.
Nada, porém, está desconectado. Tudo compõe o grande corpo divino do ser, até que, cumpridas as etapas da missão ou do experimento terreno, que é voluntário, ou do karma as partes já desnecessárias se desprendam e só reste a essência pura. Um processo que pode representar a passagem por diversas vivências no plano terreno ou por outras das muitas moradas.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


