Walmor Macarini
Como disse Denise Stocklos, em seu espetáculo em Londrina, contando a história do rico senhor que estava à morte e lhe perguntaram: ‘‘O senhor já fez as pazes com Deus?’’. E ele: ‘‘Mas eu nunca briguei com Ele’’!
É porque há gente que pensa que todo rico, quando morre, ‘‘vai para o inferno’’, e, em contrapartida, que todo pobre ‘‘vai para o céu’’. Nem uma coisa ou outra é garantida, nem o inverso... Com toda certeza Deus interrogará mais o pobre e quererá saber o que fez com os talentos que lhe foram dados... E quererá saber também que história é essa de haver ficado dizendo que sua pobreza era vontade d’Ele...
Há tantas pessoas pessimistas por aí que já nem dá vontade de cumprimentá-las e perguntar-lhes como vão as coisas, que elas já vão dizendo que tudo vai mal. Com tal decreto, até o que vai bem corre o risco de piorar. Muitas culpam o governo, que obviamente não é santo, mas estejamos conscientes de que governos não irão resolver problemas individuais de pobreza, porque pobreza é produto de nossa mente, e nenhum poder externo irá nos salvar. Só nós próprios nos salvamos, por decisão pessoal, e assim, se todos assumirem uma tal atitude, se formará uma tão vigorosa corrente que nada a deterá. E assim será possível mudar para melhor até o governo. Porque o governo é produto do meio, não o inverso. Não é o governo que muda uma sociedade, é a sociedade que muda o governo.
Se existe pobreza é porque já preexiste aí uma mente de pobreza. Assim, inevitavelmente a pobreza real se instala. Caímos ou crescemos na medida do nosso pensamento. Precisamos criar mente de riqueza e soltar os freios que nos mantém estancados. Soltar os freios não é apenas trabalhar como uma besta de carga, mas liberar as amarras mentais. Trabalhar só com os braços mas mantendo a mente preguiçosa, inoperante, puxando para trás pela descrença, achando e proclamando que é difícil, será como caminhar em esteira rolante: haverá muito esforço e suor mas não sairemos do lugar.
Não é vontade de Deus que sejamos pobres, porque Sua morada é rica, então seria uma contradição que desejasse nossa pobreza.
O que falta ao homem é ele delinear seus próprios sonhos, mas ele não o faz, preferindo-se gastar energia em lamentações e assim criando ao seu redor uma atmosfera tão densa de pessimismo que contaminará os demais e fará morrer a própria grama por onde pisa... Seu poder mental é muito poderoso, podendo criar ou destruir. Qual das duas opções assumir será decisão apenas sua e de mais ninguém.
Riqueza ou pobreza são estados de decisão. Pobreza pode ser consequência de irresponsável desatenção. A menos que a pessoa tenha conscientemente decidido ser pobre, quem sabe por um experimento de vida. Há pessoas que permitiram nivelar-se por baixo; outras decidiram o contrário. Ou deixaram a vida rolar, sem projeto; descuidaram-se demais das coisas. Aí lamentam as consequências, sem atentar que nunca existem culpados externos, mas elas próprias. Quando alguém nos prejudica é porque, de certa forma, em algum momento favorecemos isto.
Reger a vida é estar vigilante. Pessoas desatentas facilitam a descambada para a pobreza, que é parente próxima de uma infinidade de mazelas que a acompanham e a saúdam... Está escrito que os talentos foram entregues; cada qual que faça deles o uso que quiser.
O homem tem que buscar a consciência de que a riqueza é possível e que ele é um dos eleitos para usufruí-la. E abandonar a idéia de que possa haver mérito na pobreza. Pode ser virtuoso o pobre, mas não há virtude na pobreza. Significando que não pode haver virtude na escassez, que leva a estados de insegurança, amargura, doença e desespero.
Está no homem criar as condições daquilo que deseja. Se considerar que os bens terrenos não são para ele, então não serão, por seu próprio decreto. Mas se criar o encantamento pelas coisas que quer, envolvendo-se com elas até o ponto de enfeitiçar-se, ele as terá, infalivelmente. Porque é assim que se regem as leis do universo.
Costuma-se dizer que dinheiro não cai do céu. Errado. Porque é de lá mesmo que ele vem. Porque primeiro criamos a riqueza no plano mental, para só depois ela manifestar-se aqui. Se não planejamos na mente, só o vigor do corpo físico nada criará. O céu é o nosso eu mental superior, o poder em nós que emana da grande usina cósmica, em síntese Deus. Não basta fazer um maravilhoso projeto no papel se a mente joga com possibilidades de fracasso. Nunca se deve abrir espaço para idéias de que algo pode não dar certo em qualquer projeto que fizermos. Isto é imprudência. E jogar com variáveis negativas é indefinição. É de antemão admitir que nosso projeto pode não vingar da forma que queremos. Isto é desastroso. Não podemos, nós próprios, ser os primeiros a duvidar. Temos que criar grandes expectativas. E envolver o maior número de pessoas nessa crença.
Em futuro não muito distante, o melhor empresário, o melhor profissional, o melhor ser da face Terra será aquele que investir na crença do poder de sua intuição e de sua mente superior. Esta a chave. Fora disto nenhuma estratégia funcionará, como não funcionou até hoje. O mundo quererá não homens estratégicos, mas homens intuitivos. Estes governarão a Terra.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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