Se leis boas não faltam e elas não sejam executadas suficientemente, isto não invalida que normas reguladoras de atitudes individuais sejam criadas. E sabe-se também que a existência de bem-aplicadas leis não é garantia de que irregularidades sejam plenamente evitadas e que se possa combater todos os vícios humanos. A formação que for dada e cada pessoa é ainda a que melhor rege o comportamento social. Ontem, no mini-debate do ‘‘Sim’’ e do ‘‘Não’’ deste Jornal, sobre alguma proposta ou fato, o tema foi o projeto da Assembléia Legislativa de regulamentar as festas rave.
O neologismo não existe no dicionário mas significa um gênero de festa jovem em que muita licenciosidade acontece. Ali, como se diz na gíria da moçada, tudo rola. Na verdade, se não há o consumo de alucinógenos não existe festa rave. Um caminho é criar um respaldo legal para a Polícia agir com mais autoridade nesses eventos, embora já exista a lei proibidora da produção e distribuição de drogas. Proibir inteiramente a realização de qualquer tipo de festa é difícil, porque da mesma forma os clubes sociais as promovem e ali também rola o consumo de bebidas alcoólicas, por jovens e adultos, e ademais esses estabelecimentos ferem a lei do silêncio quando o barulho é alto demais e se estende até o clarear do dia.
Mas as festas rave podem, sim, ser policiadas, com a revista dos freqüentadores para detectar a presença de drogas, não só em poder dos usuários mas dos que entram com estoques maiores, para vendê-las lá dentro. Com policiamento intensivo, pode dar-se o resultado de essas festas deixarem de existir, porque o ‘oxigênio’’ que as nutre é esse clima. Rave é uma festa de estilo, com caráter privado e duração acima de 12 horas, e realizada fora da área urbana. Foi criada pelos caribenhos em Londres. É quase uma reunião tribal, sob a regência de som altíssimo, que não se pode qualificar de musical porque não há música mas apenas um ritmo alucinante comandado por DJ (simplificação de disc-jockey, hoje em voga) ou produzido por computador. Esse ritmo tem modos variados, dentro do mesmo tema, e nomes como drum n bass, full-on, eletro, house, chill-out, progressive, psy trance.
Nas duas opiniões manifestadas na FOLHA, ambas concordam que nessas festas as drogas correm soltas. Uma propõe rigorosa fiscalização policial e outra a simples extinção desse tipo de evento. Aprovar essas festas, com tudo o que trazem em seu bojo - e como um suposto direito do jovem de ser e fazer - é um contra-senso, e proibi-las é tão difícil quanto eliminar os políticos e governantes corruptos e ineptos, os fanáticos religiosos, os viciados em fumo e álcool e outras tantas mazelas sociais. Só se sabe que, ante todos esses males, os movimentos para atenuá-los não devem cessar.

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