Não é o tempo de permanência do aluno em aula que resultará em menor ou maior aproveitamento do ensino e sim a qualidade do que é ensinado. A questão das horas de presença em classe foi levantada agora por pesquisa da Fundação Getúlio Vargas e constatou que, em média, os estudantes de 4 a 17 anos ficam pouco mais de 3 horas em classe; e que os de 7 a 14 anos (que compõem a maioria do estudantado brasileiro) ficam em aula em torno de 4 horas. O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que esse tempo é pouco.
Há correntes de opinião que defendem o horário integral de estudo para os adolescentes, como forma de eles aprenderem mais e melhor, e para evitar que, estando ociosos, eventualmente se dediquem a atividades menos recomendáveis ou se marginalizem nas ruas. Se estas são razões defensáveis, o que alguns proeminentes educadores têm discutido não são questões como o tempo em aula - que se for exagerado passa a ser entediante e resultar em menor aproveitamento de aprendizado - e sim mudanças no conteúdo do que é repassado aos alunos.
O magistério segue o que é determinado pelo Ministério da Educação e é essa metodologia que vai, cada vez mais, ganhando espaço nos debates, pela palavra de gente do próprio meio educacional. A verdade é que a maioria da juventude não gosta da escola pelo natural ímpeto de fazer outras coisas que lhe agrade mais e não ter de debruçar-se sobre livros e enfrentar horas diante dos professores. Mas também é certo que são muitos os que questionam o valor de muita coisa que lhe é repassada e tida como de pouco proveito na vida prática. Certo é que é um duro regime crianças com idade de 7 anos terem de levantar às 6 da manhã para chegar em tempo à aula (e sem chance às vezes de tomar café). Isto tira dos pequenos a oportunidade de dormirem um pouco mais, e não por preguiça mas por necessidade de desenvolvimento. A escola e a ciência que trata da criança e do adolescente não dialogam, mas se sabe que saindo assim tão cedo, o sono chega em aula, dificultando até o aprendizado.
Crianças também precisam brincar e ficar mais tempo em casa com os familiares e não o dia todo dentro de um educandário. O tempo exagerado de permanência em classe, mais as pesadas mochilas e o excesso de deveres dados para fazer em casa, merecem avaliação das autoridades do ensino, de educadores e pais. E ponto fundamental - mencionado também por eminentes estudiosos - é o contéudo do que está sendo ensinado e o que de importante se está deixando de ensinar.

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