Sobre notícias e tragédias
Cumprir a maratona diária de noticiar é tarefa ao mesmo tempo extenuante e gratificante. O jornalismo exige, entre outras coisas, dedicação, atenção, ética, análise dos fatos, amplitude das informações. A FOLHA tem buscado oferecer aos seus leitores matérias que causem reflexão e que alertem, aprofundando-se nos fatos do dia a dia.
Assim, estamos insistindo nas últimas semanas na necessidade de atenção maior para a PR-445, bem como a para a PR-323 e outras rodovias do Estado, que matam tanto quanto ou mais do que catástrofes amplamente noticiadas. Ontem, a PR-445 fez mais uma vítima fatal, o caminhoneiro Raimundo Domingos de Moura, 48. Noticiamos o fato, mas continuaremos cobrando. Entendemos que a nossa insistência e de outros veículos de comunicação servirão para mudar o quadro de rodovias de pista simples, repletas de curvas e com poucos pontos de ultrapassagem.
Na edição de hoje, também trazemos as tristes notícias que chegam do Litoral, especialmente de Antonina e Morretes. O quadro é desolador, com 24 mil pessoas atingidas pelas chuvas. Nos últimos anos, infelizmente o Paraná tem convivido com mortes causadas por chuvas e enchentes. No ano passado, o Norte Pioneiro foi atingido, com vítimas fatais em Sengés e centenas de desabrigados em outras cidades, como Tomazina. Desde então, temos alertado para a necessidade de maior atenção para as áreas de risco do Estado. Não bastou para que mais gente morresse, como as vítimas soterradas em Antonina com as chuvas dos últimos dias.
Fomos além dos números, mostramos como é ser vítima da tragédia, por meio do relato de quem perdeu todos os bens materiais, como o empresário Iuri Santana ou de quem perdeu algo ainda mais valioso, caso do bombeiro Sílvio da Veiga Crates, que já salvou muita gente em 21 anos de profissão, mas não pode salvar o pai, Pedro Crates, soterrado em Antonina.
Por fim, temos dado atenção especial ao tsunami no Japão, catástrofe que não podia ser evitada como as que relatamos acima. É impossível não estar solidário a esse povo, que tem ligações tão estreitas com o Norte do Paraná.
Os últimos dias, não dá para ser diferente, têm sido mais extenuantes do que gratificantes para nós jornalistas. Esperamos que isso logo se inverta.





