Sobre doenças e curas - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Walmor Maccarini 
Os médicos atribuem à doença uma importância muito grande - afinal ela é sua matéria-prima - por isso reagem vigorosamente quando alguém fora da área faz curas e cirurgias apenas com a imposição de mãos, ou mesmo a distância, ou usando exóticos bisturis. Neste final de semana esteve em Londrina o famoso médico Dr. Fritz, que opera incorporado em médiuns. Este jornal publicou o depoimento de um médico, a favor; e de outro, radicalmente contra, como de resto a maioria deles. Afinal, um médico estuda um terço de sua vida, gasta uma fortuna para fazer o curso, outra para instalar clínica e adquirir sofisticados equipamentos, e tem que viver atualizando-se em congressos e estágios de pós-graduação, se não quer ver-se superado a cada seis meses. Já as curas não convencionais não exigem nem estudo e nem especialização em nada, e isto vem desde muito antes da era babilônica, passando por um célebre curandeiro de nome Jesus, que incorporava poderosa energia crística, a tal ponto que até ressuscitava mortos. Na época ele também provocava virulenta reação dos sacerdotes e terapeutas. Nos dias de hoje, Dr. Fritz e os milhares como ele, presentes em toda parte, ainda incomodam exatamente essas duas classes, porque tais curas milagrosas invadem espaços da ciência e da religião, pretensas tuteladoras da humanidade e historicamente antagônicas entre si, mas unidas quando o alvo comum são esses invasores.
O que dizer? Que Dr. Fritz também foi um médico terreno, na Alemanha, e que passou por iguais agruras nos bancos de aprendizado e na vida profissional; que continua médico, portanto nenhum charlatão; que os médicos de hoje serão os Dr. Fritz de amanhã, porque assim costuma agir a Inteligência Divina, para não desperdiçar talentos. Quem é do ramo e tanto estudou e tanto calejou cérebro e mãos em diagnósticos e cirurgias, é quem é chamado para tarefas afins. Estranho seria se o convocado fosse um jornalista...
Médicos, hospitais e enfermarias são necessários aqui e do lado de lá; médicos existem aqui e lá. Os daqui são às vezes urgentemente resgatados para lá, e os de lá se incorporam para operar entre nós. Por isso há casos de médicos que morrem cedo, alguns na noite da formatura, para inconformismo dos familiares e daqueles que, não havendo alcançado o entendimento, imaginam que todos aqueles anos de estudo foram jogados fora. Se pudéssemos enxergar com os olhos carnais já veríamos, no dia seguinte, esses médicos trabalhando, vestidos com seus jalecos. A missão deles, aqui, era só concluir o curso.
Pessoas que morrem em dolorosas circunstâncias necessitam, logo após transpor os portais, de assistência médica, psicológica, psiquiátrica, no mínimo de alguém que os oriente e conforte. Porque - não nos iludamos - sequelas persistem por algum tempo após o desenlace carnal. Quem morrer verá...
E aqui, nas clínicas e salas de cirurgia, não pensem os médicos que estejam eles trabalhando sós. Egoístas os que assim imaginam. Há muito mais colegas e enfermeiros ao seu redor do que supõe a vã filosofia... E sofisticados equipamentos. Então, sem o saberem, eles já praticam medicina espiritual.
O médico que se manifesta contra, em Londrina - no caso do Dr. Fritz - afirma que esses pacientes de curas espirituais sempre acabam voltando, com a mesma doença. Não é bem verdade, porque as estatísticas não conferem. As minorias que voltam equivalem às que também voltam às clínicas convencionais. Ambos - os Dr. Fritz e os médicos terrenos - sofrem da mesma injustiça: os mal-atendidos escandalizam a classe, e os que saem curados não alardeiam nem vão proclamar aos jornais.
Todas as doenças têm origem extracorpórea, porque os vírus se plasmam segundo condições mentais da humanidade, então as curas podem igualmente se operar segundo esse mesmo princípio. Assim como da purulência se extrai o antídoto para a cura dela mesma.
O homem é o criador de seus próprios males e doenças, e se ele os cria e recria pelo poder mental, pode da mesma forma desfazê-los...
Médicos e curadores estão todos em missões salvadoras e deveriam unir-se, porque são em maior número os enfermos que as mãos para curá-los. Então, quem está ajudando deve ser louvado, não importa se laureado ou não. Se não for charlatão nem vigarista, então é de Deus.
É bom lembrar que esses médicos do espaço não são e nem se intitulam deuses, por isso sujeitos também à fé e ao merecimento do paciente. Só porque o médico é espiritual ele não tem a obrigação de curar a todos, como não se exige isto de nenhum médico. Quando os médicos terrenos exigem perfeição de um Dr. Fritz, o superestimam, significando que o reconhecem.
Dr. Fritz é assistido em seu trabalho por competentes auxiliares e sofisticadíssimo instrumental, não visíveis pelos olhos carnais.
Não somos só nós que habitamos (ou frequentamos) a crosta terrestre.
O outro lado não é tão distante daqui, apenas uma tênue cortina. Cada outro lado se avizinha de mais outro, em escala ascendente, até regiões celestiais inimagináveis. (Na casa do Pai há muitas moradas). Porém, nem lá, no mais profundo dos Arcanos, jamais veremos Deus da forma que nos ensinaram a imaginar, mas se quisermos vê-lo aqui mesmo, é só olhar ao redor... Com um pouco de atenção o veremos dentro de nós mesmos...


