Uma medida aceitável e outra abominável. A primeira é a aprovação (em 1ªvotação) pela Assembléia Legislativa do Paraná da concessão de auxílio mensal de R$ 100 aos jovens em situação de risco. A outra é a Comissão de Constituição e Justiça do Senado haver aprovado emenda constitucional criando mais 7.500 vagas de vereador. Porque isto gerará mais encargo para os municípios, quando se sabe que a atual formação dos corpos legislativos é mais que suficiente.
  Mais vereadores resulta também em mais equipes de assessores, calculando-se que no final essa soma de gente pendurada em cabides de emprego suba para 20 mil. E, tratando-se de Brasil, mais gente na vida pública significará mais corrupção e não maior eficiência das câmaras municipais. Este é um retrato da insensatez dos políticos brasileiros, quando a população espera que o poder público diminua seus gastos funcionais e não que os aumente.
  A esperança é que essa proposta não vingue, embora seja poderosa a força do corporativismo no meio político. Louve-se o caso da Câmara de Curitiba que arquivou projeto propondo ampliar o número de seus vereadores. Com relação à ajuda aos jovens carentes sob risco, o ideal seria que fosse outra a realidade social, de tanta miséria e descaminho, e que esses males fossem combatidos na origem para que todas as pessoas se tornassem auto-sustentáveis. Mas o mal já está instalado e é preciso amenizá-lo, por todas as formas possíveis. E se o Governo (autor da proposta) gasta abusadamente para sustentar seus excessos, todo o dinheiro (do próprio povo) que sai do cofre público e volta ao meio circulante é sempre benéfico. Mas, por conta dessa ajuda – por ora necessária face à situação de carências a que se chegou no Brasil – os programas mais abrangentes em benefício desses jovens não podem ser abandonados.
  Outra decisão de efeito duvidoso é a aprovação, pela mesma Assembléia (também em 1ªdiscussão) da redução tributária (proposta pelo Governo) sobre milhares de produtos de consumo popular, mas na contrapartida aumentando o imposto sobre energia elétrica, telecomunicação e outros itens, porque isto é trocar seis por meia dúzia. Energia elétrica é também um item de consumo popular, e aumentar o tributo sobre ela será tanger o próprio consumidor e os produtos originários de tudo o que utilizar eletricidade. Também não há garantia de que a redução anunciada irá redundar em benefício ao consumidor. A quase certeza é que isto não irá ocorrer, e o Governo não terá mecanismo de controle. Para compensar a perda por uma tal redução bastaria o Governo diminuir o custo da máquina pública.

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