Sobre a desindustrialização
A análise dos vários indicadores econômicos aponta um processo negativo para a economia: a desindustrialização. Nos últimos anos, a indústria perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, por exemplo, o setor atingiu o menor peso desde o ano 2000, segundo indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo aponta para um cenário ainda pior: a importância da indústria brasileira voltou para os níveis nos anos 50.
No Paraná a situação não é diferente da do restante do País. O IBGE mostra que nos primeiros cinco meses do ano a produção física caiu 1,7% - índice discretamente maior do que o nacional, que ficou em 1,6%. Entre 13 atividades pesquisadas, 8 tiveram retração com destaque para o de veículos e implementos rodoviários (-8,1%), produtos alimentícios (-7,9%) e móveis (-7,1%). Outro dado relevante é a criação de vagas de emprego. No primeiro semestre deste ano foram abertos 48% menos postos do que no mesmo período do ano passado.
É fato que nos últimos anos o Brasil foi atingido por turbulências externas, como a crise econômica da última década. No entanto, também é fato que o País não foi preparado para crescer. São vários obstáculos tributários, regulatórios e trabalhistas, além do "custo Brasil", provocado pela infraestrutura deficiente. Além disso, a política econômica com a valorização do Real frente ao dólar, tornou as importações muito vantajosas, contribuindo para o processo e para o deficit da balança comercial.
Embora economistas e empresários estejam apontando para a falência do modelo econômico baseado no consumo interno como forma de estimular a economia, por enquanto, não há sinais de mudanças. Pelo contrário. Todas as medidas anunciadas são baseadas no mesmo processo e não apresentam novidades. Não há investimentos públicos ou redução de gastos. Desta forma, dificilmente o País sairá de um quadro pré-recessão. Se a opinião pública não se manifestar de forma contundente, também dificilmente esse cenário mudará.





