Embora instituída legalmente há 16 anos, a delação premiada ainda é alvo de polêmica. Advogados e políticos criticam o instituto, que tem por principal objetivo possibilitar a desarticulação de quadrilhas e organizações criminosas, facilitando e agilizando a investigação criminal. Os avanços obtidos na Operação Lava Jato, a partir de acordos firmados, são indiscutíveis, mas é importante lembrar que os depoimentos não se constituem provas. Devem ser considerados como "pesquisa de prova".
É certo que ao final dessas investigações, que já apuraram um rombo bilionário nas contas da Petrobras, a sociedade como um todo sairá amadurecida. O País enfrenta várias crises: econômica, política e, sobretudo, ética. São questões que devem ser avaliadas e discutidas conjuntamente porque estão entrelaçadas. E, de certa forma, a delação premiada está inserida nesse contexto porque ajudou a revelar a "redoma de segredos" do crime, como já afirmou o juiz federal Sergio Moro, que atua nos processos da Operação Lava Jato.
Crimes de "colarinho branco" geralmente são praticados por pessoas de grande poder econômico e influência política, o que dificulta o esclarecimento das práticas e a responsabilização dos culpados. No entanto, também é sensato acrescentar que a delação apresenta problemas. Um criminoso que decide colaborar com a Justiça terá sua pena reduzida, o que não é o ideal. A justiça é feita quando todos pagam por seus crimes.
Mas, no geral, a avaliação é que há mais vantagens do que desvantagens. Um julgamento mais célere e o esclarecimento de crimes que dificilmente seriam desvendados por meio de uma apuração tradicional são alguns dos benefícios. Entre opiniões favoráveis e contrárias, a Operação Lava Jato mostrou que a delação premiada não deve ser descartada. A sociedade precisa de mecanismos que punam criminosos e as investigações deram exemplos claros da força desse instituto.

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