Sobre a delação premiada
A semana terminou com mais uma bomba no meio político. Preso desde março acusado de participar de um megaesquema de lavagem de dinheiro e de desvio de recursos da Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, aceitou um acordo de delação premiada com a Justiça. A proposta permite a redução da pena em troca de detalhes de como funcionava o esquema. Costa ocupou a diretoria da Petrobras entre 2004 e 2012 e, portanto, participou dos dois governos do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e dos dois primeiros anos do mandato de Dilma Rousseff (PT).
Como não podia deixar de ser, envolveu pelo menos 25 deputados federais, seis senadores, três governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos: PT, PMDB e PP. Entre os citados, está Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo no mês passado; Roseana Sarney, governadora do Maranhão (PMDB) e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. Importante salientar que muitos dos políticos lembrados por Costa já teriam participado de outros esquemas de corrupção anteriormente. Segundo o ex-diretor, a distribuição do dinheiro servia para garantir que os partidos aliados continuassem a apoiar o Palácio do Planalto no Congresso Nacional.
No entanto, é importante esclarecer as motivações que levaram o ex-diretor a revelar só agora os detalhes do esquema. Falta menos de um mês para as eleições que irá definir presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e qualquer nome ventilado negativamente na imprensa pode mudar totalmente os rumos do pleito. Que a Petrobras estava há anos sendo usada politicamente e como fonte de financiamentos ilícitos não é novidade para nenhum brasileiro relativamente bem informado.
Agora, é preciso também confirmar a veracidade dessas informações e se toda a verdade está sendo escancarada. Indicar alguns nomes somente para se livrar de um tempo maior na prisão até pode ser atraente, mas é importante a certificação de que ninguém foi poupado. Outro ponto importante nesse caso todo é a punição. É preciso acabar com o mito de que "crimes de colarinho branco" não são punidos no Brasil. Os brasileiros estão cansados e devem exigir essas mudanças.





