A corrupção está no centro das preocupações dos brasileiros. Se não bastasse a percepção da população de que a corrupção é o principal problema enfrentado pelo País, ranking mundial divulgado ontem pela ONG Transparência Internacional aponta que o Brasil caiu sete posições no levantamento. Em 2014, o País estava na 69ª colocação e, no ano passado, ficou em 76ª – a maior queda entre todas as 168 nações pesquisadas.
A avaliação é que houve um aumento da percepção da corrupção após a Operação Lava Jato. As investigações, que já duram quase dois anos, tornaram público o maior esquema de desvio de dinheiro público do País e prendeu importantes políticos e empresários, além de terem sido apresentadas denúncias contra a presidente Dilma Rousseff (PT), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e seu filho conhecido pelo apelido "Lulinha".
O esquema trouxe prejuízos imporantes à Petrobras, a maior empresa estatal brasileira, que amargou prejuízo no ano passado e teve rebaixada sua nota de grau de investimento. A petroleira teve sua saúde financeira prejudicada e junto trouxe também uma das maiores crises éticas enfrentadas pelo País. Afinal qual a credibilidade de um partido ou de um presidente em meio a um escândalo como esse?
No entanto, a Lava Jato deve se tornar um símbolo para o País. Que essa operação represente um marco, um divisor de águas e que a corrupção e o "jeitinho" não tenham mais espaço na agenda nacional. O País precisa amadurecer politicamente e discutir profundamente assuntos como esse. É preciso entender que a fase de indignação já passou e que o momento agora é de ação. Para isso não precisam ser executadas ações grandiosas. Basta acompanhar os atos de seus representantes, os gastos, as informações publicadas no Portal da Transparência, que são obrigatórias. Mudar uma cultura requer mudança de atitude, ação.

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