Sobrando vagas para gente especializada
No Brasil dos contrastes não há trabalho para 10% da população economicamente ativa e a classe média veio empobrecendo mas sobram vagas para mão-de-obra especializada. Os dois primeiros são fatos desagradáveis, e o último bom mas mostrando que há insuficiência de ensino profissionalizante. De qualquer modo, tanto melhor saber-se que há áreas reclamando trabalhadores. A Companhia Vale do Rio Doce precisará contratar até o fim do ano que vem 4.000 empregados se quiser crescer no ritmo planejado mas não encontra eletricistas, soldadores, mecânicos, operadores ferroviários e técnicos em mineração. A notícia divulgada pelos jornais fala da gravidade da situação e que o problema não é só daquela empresa mas de outras mais, que necessitam de profissionais com qualificação específica. Algumas, para não paralisar projetos de expansão, estão começando elas próprias a formar os técnicos de que necessitam. Soa bem aos brasileiros a constatação de que a gravidade é a falta de trabalhadores por despreparo e não por eventual crise nacional que afaste empregos, embora ainda estejam ocorrendo casos de demissões, como acontece aqui mesmo no Paraná com a montadora Volkswagen, e haja aqueles 10% de desempregados. Entre estes deve haver gente especializada e também de baixa formação. A indústria Suzano, de papel e celulose, vai investir R$ 4 bilhões até 2008 em sua unidade da Bahia, mas já teme pela falta de trabalhadores capacitados para colocá-los lá dentro. Por ora a necessidade circunscreve-se à montagem da indústria, que precisa de pedreiros, armadores de ferragens, montadores de andaimes, pintores e caldeireiros, setores que, se não são de aprofundada qualificação técnica, exigem no mínimo prática. Pelo menos 100 indústrias de açúcar e álcool que estão sendo implantadas no Brasil só têm gente para as tarefas ligadas ao cultivo da cana, mas há escassez nos setores especializados. A Wal-Mart tem dificuldade de achar padeiros, açougueiros, peixeiros e cozinheiros para as 11 lojas que pretende instalar até o final do ano. A necessidade é de 4.000 pessoas. E se os grupos Carrefour e Pão de Açúcar também estão projetando expansões, imagina-se que enfrentarão idêntico problema. A relação de empresas necessitadas não pára aí, porque a IBM quer contratar 5.000 programadores de computação que falem fluentemente o inglês, e já sabe que não irá encontrá-los de imediato. Tem-se declarado que, não por mérito das políticas públicas mas pelo processo natural do empreendedorismo privado, há um Brasil que cresce apesar dos governos inoperantes, gastadores e corrompidos. Falta agora investir na formação profissional, uma tarefa que é também do setor público, mas se este não o faz suficientemente, também aí as empresas particulares o estão fazendo.





