Cerca de 700 pessoas passam diariamente pela Agência do Trabalhador, na Rua Guaporé, Centro de Londrina, em busca de emprego. Se em alguns casos a disputa por um lugar no mercado de trabalho é acirrada, em outros até sobram vagas. A chegada de um supermercado na cidade, por exemplo, abriu 400 novos postos de trabalho e evidenciou um problema: falta capacitação aos desempregados.
O supermercado precisava de 30 açougueiros, mas só encontrou 15 aptos para exercer a função. O mesmo acontece com padeiros e confeiteiros. Para o gerente do Sistema Nacional de Empregos (Sine) em Londrina, Roberto Gonçalves, os desempregados precisam se readequar à nova realidade do mercado de trabalho.
''O mercado está mudando. Antigamente, o porteiro sentava no seu lugar, abria e fechava a porta, e pronto. Hoje ele tem que entender de informática, porque a vigilância é toda computadorizada, então precisa se aprimorar sempre. As pessoas não estão acompanhando a velocidade desta mudança. É por isso que as vagas aparecem e acabam não sendo preenchidas'', afirma.
A saída encontrada pelo Sine é uma parceria com empresas que financiariam os cursos de capacitação. Em troca, teriam disponíveis os funcionários com perfil e qualidade técnica para exercer determinada função. ''Nós estamos apostando em qualificação. Vamos detectar as falhas e chamar as empresas que queiram participar com ajuda de custos. Já temos os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), mas a cobertura é pequena e a demanda é muito maior.''
Outro problema, segundo o gerente, é o baixo salário oferecido por algumas empresas. ''Como tem uma oferta grande de emprego, o salário não corresponde à necessidade das pessoas, então elas não se interessam.''
Desempregada há um ano, Simone Sena Teles, 20, está disposta a pegar qualquer serviço, inclusive os que estão sobrando, como padeiro e confeiteiro. Ela tem o ensino médio completo e fez cursos de informática e secretariado.
Luciane Hilário, 17, foi até o Sine atrás de uma das 55 vagas de atendente de call-center. Ela concorda com a importância dos cursos de capacitação para entrar no mercado. ''Ninguém vai pegar uma pessoa que não sabe pelo menos mexer em um computador'', diz. Mesmo otimista com a possibilidade do novo emprego, a jovem já pensa em outras alternativas para entrar no mercado. ''Se não der certo como atendente, posso trabalhar em outras áreas que estão com emprego sobrando''.
Para Gonçalves, a idéia de ''pegar qualquer coisa'' não é a mais adequada para iniciar uma carreira. ''Tem pessoas que dizem topar qualquer emprego, mas não estão devidamente treinadas. A gente orienta a fazer aquilo que gosta. Emprego não pode ser um sacrifício.''

mockup