Sobe para 30 o número de mortos na Argentina
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2001
Agência Folha 
Buenos Aires A Argentina registrou ontem mais uma morte resultante dos conflitos ocorridos na semana passada entre manifestantes e a polícia federal. Com isso, o saldo de mortos chegou a 30. A vítima é um jovem de 23 anos e, assim como outras vítimas, recebeu um tiro na nuca. O ex-chefe de polícia, Rúben Santos afastado do cargo pelo novo presidente, Adolfo Rodríguez Saá , afirmou que os excessos ocorreram para que fossem defendidas as instituições, referindo-se especificamente à Casa Rosada e ao Congresso Nacional. Quanto à utilização de balas de verdade, Santos disse não saber explicar o que houve.
A determinação era de que os policiais utilizassem apenas balas de borracha e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações de protesto. O nome da nova vítima é Ricardo Villalba, que não resistiu aos ferimentos e morreu em um hospital do município de Rosário, na província de Santa Fé, administrada pelo governador Carlos Reutemann, peronista como Saá e possível postulante à Presidência nas eleições de março. Outras centenas de feridos foram internadas.
O ferimento havia ocorrido na madrugada de quinta-feira, quando houve os protestos generalizados e a repressão da polícia federal. Somente no centro de Buenos Aires, foram registradas sete mortes. Há outros feridos internados por terem levado tiro com bala de verdade em hospitais por toda a Argentina. O hospital não dá maiores detalhes sobre as circunstâncias da morte.
O total de mortes por Províncias, sem contar os do centro da capital federal (a cidade de Buenos Aires tem status de unidade federada) e da Província de Buenos Aires, até ontem era o seguinte: sete na capital, oito em Santa Fé (centro-oeste), dois em Entre Ríos (oeste), um em Río Negro (sul), um em Corrientes (noroeste), um em Córdoba (centro) e um em Tucumán (centro-oeste).
A Argentina viveu na semana passada dois dias de forte agitação social, que desembocaram na renúncia do então presidente Fernando de la Rúa e na designação, domingo último, do peronista Adolfo Rodríguez Saá para presidente interino, até a celebração de eleições no dia 3 de março. Os distúrbios ocorreram na quarta e na quinta-feira, com saques a supermercados e comércios em várias regiões do país. A reação popular foi uma resposta à implantação do estado de sítio, na quarta-feira, por De La Rúa. Na capital federal, a polícia reprimiu fortemente os manifestantes.


