Conjunto de reações frente a agressões de ordem física, psíquico-emocional, infecciosa e outras que afetam o equilíbrio do organismo, o estresse, segundo o clínico geral Alair Alfredo Berbert, é fruto ou resultado da vida moderna, em meio a oscilações e incertezas. Em entrevista à FOLHA, Berbert traz exemplos, desdobramentos e recomendações.
O estresse é uma reação comum a cada ser ou é hereditário, havendo uma maior propensão?
  O estresse pode apresentar características hereditárias, mas na realidade é uma reação comum de cada ser ao sentir-se pressionado por determinada situação geradora de tensão. Uma pessoa sob estresse significa dizer que está sob pressão, tensão ou ação de estímulos (fatores estressantes) promovendo alterações e ou danos físicos, psicológicos, imunológicos, etc...
  E é ‘‘contagioso’’?
  Na maioria das vezes. Por exemplo: num ambiente de trabalho, quando a chefia é exercida por um indivíduo estressado, geralmente cria-se o ambiente para que outras pessoas do mesmo setor sintam-se também estressadas.
Como diagnosticar?
  Para diagnosticar o estresse, o indivíduo precisa verificar quais as tensões ou pressões que estão presentes e atuantes em sua vida cotidiana, levando-o à irritabilidade, nervosismo aparentemente sem motivo, insônia, preocupação excessiva com alguma coisa, dificuldade de memorização (esquecimento), mudança de humor, dores de cabeça freqüentes, tensão emocional, perda do apetite sexual, etc. Detectada a causa, a pessoa reconhece que está estressada e obrigatoriamente necessita administrar o estresse, recorrendo ou não a profissionais especializados para auxiliá-la.
  Tiques nervosos são sinais de estresse?
  Aqueles que roem as unhas ou outros tiques apresentam sinais de estresse, sem dúvidas.
O estresse leva ao desenvolvimento de doenças? Quais?
  Com certeza. O estresse pode predispor as pessoas a doenças ou piorar o estado de saúde pré-existente, chegando a situações preocupantes, como o aparecimento de doenças degenerativas crônicas ou não, tais como o câncer. diabetes, hipertensão arterial, reumatismo (artrite reumática), enxaqueca, tuberculose e outras doenças infecciosas, doenças cardiovasculares, síndrome do intestino irritável, entre outras, incluem-se na ‘‘lista’’.
  Alguns livros trazem o estresse como o ‘‘assassino silencioso’’. O senhor concorda com essa definição?
  O estresse pode ser o ‘‘assassino em silêncio’’, sim, principalmente quando os fatores estressantes como frustração, ansiedade, ruídos ambientais, excesso de poluição ambiental, variações extremas de temperatura, problemas nutricionais, sobrecarga de trabalho, responsabilidade acima da capacidade individual, dificuldades financeiras, matrimônio em crise, filhos ou companheiros(as) viciados em drogas, ascensão e queda de status, decepções amorosas/profissionais, raiva, mágoa, rancor, doenças físicas, psíquicas, atuam de forma continuada por longos períodos, afetando o cotidiano dos indivíduos.
  Qual a receita para se livrar do estresse?
  Entre as prevenções e condutas para melhorar o estresse, destaco técnicas de relaxamento em geral, como Yoga e exercícios respiratórios, músicas suaves em ambientes confortáveis e silenciosos, exercitar a crença religiosa, manter o senso de humor, sorrir muito e, se possível, praticar o retiro espiritual, para a reflexão da mente, da alma e do corpo.
  E qual panorama delineia, para as futuras gerações? Vamos nos livraremos, um dia, do estresse?
  Neste mundo conturbado, repleto de problemas, não creio que possamos ficar totalmente livres do estresse. Isso se dá porque o estresse está dentro de nós, interagindo com pressões e tensões que nos cercam diariamente.

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