Sob o domínio do medo
Um único traficante de drogas domina cerca de 250 mil pessoas na zona norte do Rio, impondo-lhes regras e mantendo uma espécie de governo, onde a lei do silêncio garante a sobrevivência das comunidades atingidas. Esta, infelizmente, não é uma descoberta de agora. Há anos a sociedade brasileira, onde se incluem as autoridades constituídas, têm conhecimento desse fato. Mas pouco de concreto tem-se feito para acabar com a situação e consequentemente garantir à população mais segurança e menos violência.
A confirmação da morte do jornalista Arcanjo Lopes, conhecido como Tim Lopes, apenas traz mais uma vez à tona a gravidade do problema. Ele teria sido assassinado, depois de sofrer torturas, pelo traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, conforme o leitor poderá ler em reportagem nesta página, onde também se informa que o acusado comanda um exército de mais de 300 homens armados e é um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho.
A mais preocupante constatação a partir do que se confirma acima é o ponto a que levaram o Brasil, não somente os criminosos, mas com igual responsabilidade aqueles que se omitiram. E ninguém mais que o próprio governo tem a obrigação de garantir, com políticas eficientes, condições para que milhares de pessoas não tenham que viver sob o domínio de bandidos.
Mas, omissos, estes contribuiram para a manutenção de uma sociedade infestada por traficantes, que com a força de armas pesadas conseguem calar comunidades inteiras. São também culpados de permitir, por fruto da omissão, que meninos e meninas ingressem no mundo do narcotráfico e ali participem de uma sociedade paralela, onde a venda de drogas, a prostituição e sobretudo a violência deixem de ser contravenções. Pois alheios à situação que predomina, também ignoram que a inexistência de políticas sociais acertadas, de planos de segurança eficazes e de punição para os infratores apenas realimentam a insegurança.
O atual governo despede-se com esta dívida. E nem nos discursos os candidatos à Presidência da República encaram o Brasil de uma ótica ao menos parecida com a das milhares de pessoas que vivem sob o domínio dos traficantes e que gostariam de estar livres dessa situação. Também não enxergam o País com os olhos de toda uma população que exige um basta. É hora de escolher candidatos que conheçam o Brasil.





