Paulo não imaginava que teria um destino tão trágico quando deixou o sítio em que vivia com a mãe, no Norte do Brasil, para vir estudar e morar com o pai em Londrina, aos 14 anos.
Mas, em vez de estudar, acabou se envolvendo com garotos que trabalhavam para o tráfico de drogas. Pouco depois, estava usando cocaína e trabalhando para os traficantes, como vendedor.
Com o dinheiro da droga comprou sua própria arma, um revólver 32. A partir daí deixou de trabalhar para o tráfico e virou assaltante. Depois de muitos roubos e furtos e de três passagens pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), hoje Centro de Sócio Educação I, conheceu a morte de perto.
Ao assaltar um bar, acabou acertando dois rapazes que reagiram, um deles morreu na hora. As pessoas que estavam no bar conseguiram detê-lo. ''Tomaram o meu revólver, encostaram na minha cabeça e puxaram o gatilho, mas a munição tinha acabado. Me bateram muito. Naquela hora só pensava na minha mãe, no carinho que tinha perto dela, na vida boa do sítio.''
Hoje, com 18 anos completos, ele diz que não quer mais fazer parte do crime e promete escutar os conselhos que receber daqui pra frente. ''Muita gente falou comigo, me aconselhou, mas eu estava sempre drogado e as palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro. Agora, fico pensando nos meus pais. Sei que eles estão sofrendo por causa de tudo o que fiz. Isso está pesando na minha consciência. Se pudesse dizer algo aos adolescentes, diria para que eles escutassem os conselhos que recebem dos mais velhos.''(W.S.)

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