Só Senado pode impedir recriação da CPMF
Se os parlamentares são os representantes do povo, devem saber que ninguém é a favor da recriação da CPMF, que ressurgiria com a denominação de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, semelhante à dos combustíveis. Mas eles têm deixado de representar a sociedade, e no caso da recriação da CPMF um considerável número de deputados e senadores é a favor, porque boa parte forma a base governista nos parlamentos. Com uma alíquota mais baixa que a anterior, retiraria do meio circulante R$ 10 bilhões ao ano, sob o pretexto de atender à causa da saúde pública.
A esperança é que a idéia absurda - por trás da qual estão o presidente Lula e sua equipe econômica - não passe pelo Senado, a mesma Casa que puxou os tubos de sobrevivência desse imposto e o extinguiu, em dezembro. E já se imagina que o presidente, posicionando-se de bom moço e declarando-se sabotado pelas oposições, irá justificar que as verbas da saúde ficaram escassas e os serviços (que já funcionam precariamente) piorarão. E então culpará os senadores, ou, por extensão, os parlamentares no geral. Ocorre que dinheiro em poder do governo existe em abundância, bastando que saiba administrá-lo e - já se falou à exaustão - vá buscá-lo onde gasta abusivamente. Havendo corte de despesas supérfluas em outros setores, sobrará muita verba para prestar bom atendimento à saúde e dar maior fôlego ao SUS, que não atende a todos e leva tanta gente a longa espera por uma cirurgia, se a morte eventualmente não ocorra antes.
Essa substancial reserva de caixa se deve ao aumento da arrecadação, motivada pelo crescimento econômico alavancado pelo arrojo empresarial - uma clara amostragem de que, se a economia vai bem, com menos impostos e o governo deixando a nação trabalhar, o desenvolvimento se manifestará naturalmente, e assim também o Tesouro passará a recolher mais. Foi o que ocorreu depois de eliminada a CPMF, permitindo que o dinheiro não pago, correspondente àquele imposto, passasse a girar nos meios de produção.
Lula será capaz de dizer que o ótimo Brasil (que no seu entender otimizou-se graças a ele) irá perder qualidade porque a recriação da CPMF não foi aprovada. É possível até que governadores e prefeitos formem coro com ele, porque Estados e municípios passaram a receber mais, na divisão federal do bolo tributário, em face ao aumento do volume da receita.
O Senado poderá ser o freio para impedir que mais essa investida governamental tenha sucesso. A nação já não suporta mais impostos e não há outro caminho de salvação senão diminuir o custo da máquina pública. Que é desperdiçadora, de baixa operância, atrapalhadora e corrompida.





