Só o poder interessando a Lula
Notícias de Brasília falam de um presidente Lula desesperado, e não ante os grandes problemas brasileiros que dependem de seu desempenho presidencial e que ele nem experimentou solucionar, mas em face de sua reeleição. Ele luta pela continuidade no poder, preocupado no momento com a intensificação da turbulência em seu governo provocada pela defenestração do ministro Palocci. Desmantelado em sua estrutura, o Governo petista está praticamente sem ninguém e mesmo sem Presidente. Que agora é apenas candidato. Luiz Inácio Lula da Silva, na verdade, foi um eterno candidato. Governar, ele mesmo demonstrou que, para isso, falta-lhe apetência, como se viu nestes três anos e três meses de sua gestão presidencial. Lula é hoje um homem angustiado e oprimido informam fontes palacianas e não por causa dos escândalos de corrupção da companheirada que se atrelou ao Governo, nem das obras que não realizou e das reformas que não fez. Seria ao menos louvável se assim fosse, por eventuais razões que houvessem dificultado sua administração ou fatos que escaparam de seu controle. O que o está deixando inquieto é o temor de não ser reeleito, porque ele não conseguiu ainda coordenar sua campanha e nem suas bases nos Estados. Lula busca apoios, mas está praticamente sozinho, porque seus articuladores mais fortes foram deixando o Governo, ou por afastamento conseqüente de corrupção ou porque, agora, vários ministros afastaram-se em busca de cargos eletivos. As pesquisas eleitorais ainda o colocam na dianteira, mas as outras candidaturas ainda não deram a arrancada, especialmente a do seu adversário mais forte, o tucano Geraldo Alckmin. Neste momento os prejuízos na agricultura do Paraná, motivados pela estiagem, são calculados em 7 bilhões de reais, a febre aftosa onde ela houve de fato e onde foi inventada por autoridades governamentais reduziu a exportação de todos os tipos de carne; o desemprego corre solto; reformas estruturais não foram feitas, grandes projetos não sairam do discurso, mas tudo isto já não interessa ao supremo mandatário da República. Uma boa campanha eleitoral seria ele voltar-se para as incumbências de governante e assim recuperar pontos. Muita coisa poderia ser feita em favor da nação nestes nove meses de governo que lhe restam, se houvesse empenho. Mas se isto não ocorreu até agora, há pouca esperança de que um milagre aconteça. Lula irá aos palanques para recorrer ao que sabe fazer bem: discursos, dirigidos às classes menos favorecidas (e menos esclarecidas), e fazer críticas e mais promessas, na busca de uma só coisa: o retorno à realeza a partir de 2007 e continuar não fazendo nada de relevância, como não fez até aqui. Se o Brasil avançou em muitos pontos, se algumas estatais expandiram seus negócios, não foi por mérito de algum programa de metas emanado da prancheta do presidente Lula ou de seus ministros. Mas porque, de qualquer jeito, o País anda, e tem de andar. Apesar do Governo.





