Os prefeitos de todo o Brasil têm apenas hoje e amanhã para cumprir suas promessas de campanha. São dias também de limpar gavetas, destruir eventuais anotações inconvenientes e deixar a Casa o mais possível asseada para o sucessor. Muitos são sucessores de si mesmos e isto torna as coisas mais confortáveis. Os planos de governo não cumpridos são certamente superiores às realizações, e não será preciso fazer-se um minucioso levantamento para constatar isso.
  Os poucos empreendimentos, onde isso ocorreu, se devem não à escassez de recursos mas ao excesso de gasto na manutenção do próprio sistema administrativo, aos superfaturamentos e a desvios que encarecem obras e dilapidam as reservas financeiras. Um ciclo se encerra, com outro iniciando-se na próxima quinta-feira, e nenhum brasileiro tem dúvida de que tudo continuará igual, sem grandes mudanças para melhor, porque com raras exceções isto sempre tem sido assim.
  Onde há dinheiro público há a tentação de pôr a mão nele indevidamente, e se as cabeças dos governantes são fracas eles capitulam. Uma verdade inconteste é que gastos que poderiam ser evitados são grandes nas administrações públicas porque ainda falta à maioria dos políticos a formação moral necessária e a consciência da re-sponsabilidade. Diga-se a bem da verdade que este é um reflexo do próprio comportamento da sociedade, igualmente portadora de sua porção de negligências e pouco fiscalizadora dos atos governamentais. O que vale para os prefeitos vale para os vereadores, no geral de baixa operância e muitos deles com o agravante de gerarem grandes estragos. Não é exagero afirmar que, no Brasil, os cidadãos elegem administradores e representantes nos parlamentos – remunerando-os muito bem – para também lhe causarem danos. Há municípios demais no País, quando metade bastaria e assim uma gigantesca diminuição de gastos com o empreguismo ocorreria.
  Um Congresso corajoso um dia ainda aprovará a reincorporação dessas comunas minúsculas aos municípios-sede de origem. Porque os pequenos municípios são dependentes dos repasses governamentais e não subsistem sem eles. E esses repasses são consumidos em grande parte no custeio do funcionalismo e na estrutura pública, com pouca sobra para os atendimentos à população. O atraso social do Brasil, representado pelo povo carente e pela infra-estrutura caótica, se deve bastante a essa orgia de gastos da máquina pública.

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