Só Bolsa-Família não é suficiente
A Bolsa-Família é melhor do que se não existisse, mas por si só não basta. Não se pode criticar o assistencialismo, na atual situação brasileira, porque há um enorme contingente de patrícios passando fome e é preciso atendê-los, mas será necessário paralelamente ir buscando caminhos de solução permanente para as misérias sociais. Não constituiu surpresa a informação publicada nos jornais de que, depois de dois anos de lançamento, a Bolsa-Família não resolveu o problema da pobreza, do desemprego, da educação e da saúde. Seria ingenuidade acreditar em contrário, porque essa instituição asssistencial é na verdade um paliativo, que figura como parte do programa Fome Zero. O presidente Lula se empolga com fórmulas do gênero - até ganhou um troféu no exterior por isso, em sua última viagem - mas duas coisas são sabidas: é preciso dar comida aos famintos carentes e ir implementando projetos geradores de desenvolvimento econômico, de forma a enriquecer a nação por via de mais emprego e ganho, que resultarão em mais consumo, mais produção das fábricas, mais aquisição de matéria-prima, mais arrecadação tributária, enfim mais giro da moeda e mais riqueza. O que desalenta é constatar-se que, nos quase três anos do atual Governo, pouco aconteceu de relevante para a causa do crescimento, ressaltando-se apenas programas de curto alcance, como estes da Fome-Zero e da Bolsa-Família, necessários como emergência mas desacompanhados de projetos mais grandiosos, que eliminem os males pela raiz, mesmo que a médio e longo prazos. Não aconteceram nem acenos de grandes reformas, como a tributária, de modo a que a arrecadação cresça pelo desenvolvimento econômico e não pelo arrocho; e a trabalhista, que é inibidora do emprego e amedrontadora, face ao favorecimento da indústria das indevidas indenizações. Também inexistem no Governo projetos de melhoria infra-estrutural, porque isto não serve à causa do populismo de efeitos imediatos. No Governo Lula, desastradamente, destacou-se a continuidade da corrupção. Entristece ouvir, como foi publicado, o presidente da República declarar que não fica ''nem nervoso'' quando alguém lhe cobra obras como estradas, porque - no seu dizer - ''quem toma café da manhã todo o dia, quem almoça todo o dia e janta todo o dia, não tem por que reconhecer a fome com a mesma força que outros reconhecem''. Uma tal mentalidade é pobre demais. Melhor seria se o Governo cuidasse também de fortalecer as fontes de produção - um exemplo é o desleixo governamental com os produtores rurais e pecuaristas - que assim os problemas sociais iriam sendo corrigidos e não mais seria necessário o assistencialismo emergencial.





