Só a educação pode acabar com o desemprego - Farage Kouri
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de julho de 1998
Farage Kouri 
Nestes tempos de moderna economia, globalizada e essencialmente competitiva, desemprego é sinônimo de incompetência governamental em relação ao desenvolvimento social. A promoção da educação, a mais importante entre as políticas sociais, é a única maneira de se fazer frente ao desemprego que tem na rápida transformação do perfil do mercado de trabalho a questão central. O Brasil terá de ser rápido e extremamente competente na dinamização do ensino básico e de 2º grau visando a profissionalização dos seus cidadãos, observando a nova realidade deste emergente mercado de trabalho, cada vez mais sofisticado e dominado pelos avanços da ciência e tecnologia.
Este, porém, é um desafio da sociedade civil, especialmente do segmento empresarial, que deve buscar a necessária parceria com o poder público para implementação de sistemas educacionais que atendem às novas exigências. Nas áreas industrializadas passou a ser normal a convivência entre situações antagônicas. De um lado, grandes contingentes de trabalhadores desempregados. De outro, empresas necessitando urgentemente de trabalhadores qualificados.
De maneira primária, pode-se imaginar o quanto de força de trabalho a economia brasileira está desperdiçando, o verdadeiro contra-senso em um país que tem uma atividade econômica abrangente e altamente diversificada, ao contrário de outros países claramente limitados em potencialidade humana e material.
Do ponto de vista social, esse contra-senso é ainda mais gritante, na medida em que um grande contingente populacional, em sua maioria, vive momentos difíceis, com baixa renda que não permite se capacitar para o consumo, embora faça parte de um grande mercado. E tudo isso tem razão na própria educação, um sistema ainda incipiente para a dimensão econômica e social de um país gigantesco.
No Paraná, essa consciência evolucionista está presente, seja no âmbito governamental que promove a transformação do perfil sócio-econômico pela via de industrialização, seja no âmbito da sociedade empresarial que avança sistematicamente. Observa-se nos pólos de desenvolvimento do Estado, como a Região Metropolitana de Curitiba, a Grande Londrina e outros centros, que a preocupação com a educação profissionalizante é latente também no segmento empresarial.
É o caso das novas montadoras - Renault, Audi/Volkswagen e Chrysler - que lideram o moderno desenvolvimento estadual, como outras empresas de segmentos variados, que vêm treinando e educando novos trabalhadores, tornando-os aptos a ingressarem neste novo e exigente mercado de trabalho.
É importante que se dê também ênfase política a essa nova consciência empreendedora, que é necessária para se dar consistência às grandes decisões no âmbito político-institucional neste momento de transformações e de uma visão de potencialidade do Estado.
A visão social do empreendimento econômico é o grande avanço dos novos tempos, algo para ser festejado e preservado, mas que tem grande correspondência do comportamento político dos representantes do povo, que tem responsabilidade institucional de dar respaldo a esse sentimento evolucionista, tornando viável e competente os projetos que desencadeiam o processo organizador e regenerador da sociedade brasileira.
A idéia de aprimoramento dos sistemas educacionais, principalmente aqueles diretamente relacionados com a expansão da profissionalização, demanda a elevação da consciência política para ser referenciadora e indutora dos avanços econômicos e sociais, cujo objetivo maior é o bem-estar e o desenvolvimentos dos cidadãos. Assim, o desemprego deixará de ser um fenômeno permanente e assustador, além de instrumento de demagogia eleitoreira.
- FARAGE KOURI é médico, empresário e presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap)


