Situações e reivindicações de pequenos municípios
Depois de visitar a região, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, entrega hoje ao presidente da República um pacote de reivindicações de prefeitos norte-paranaenses que ele recebeu em Cornélio Procópio em reunião com a Associação dos Municípios do Norte do Paraná e com a Associação dos Municípios do Norte Pioneiro. A choradeira dos pequenos municípios é geral, por conta da redução do Fundo de Participação dos Municípios, atribuída aos efeitos da crise financeira global.
O ministro nada prometeu e nem revelou que tipo de auxílio o Governo poderia dar e disse que não mencionaria alguma medida específica porque depois - afirmou - ''o presidente lê a FOLHA DE LONDRINA e eu tomo um puxão de orelhas''. Isto pelo natural ordenamento de que o chefe do Governo precisa ser consultado sobre medidas importantes, mesmo que partindo de ministros com mais poder decisório, caso de Paulo Bernardo. Mas assinalou com a possibilidade de ajuda por via de medidas provisórias.
É sempre uma boa política os homens públicos se deslocarem para as bases, pela oportunidade de ficar frente a frente com as lideranças. Embora o ministro do Planejamento conheça bem a região, é sempre eficaz ouvir de viva voz os reivindicantes. Foi importante o ministro certificar-se de que houve erro do Governo ao contemplar apenas municípios com 100 mil habitantes para cima no projeto de financiar 1 milhão de casas populares (44 mil no Paraná) e algumas exceções para os com 50 mil. Óbvio que pequenas comunidades também precisam de moradias populares. ''Temos de rever essa regra'', admitiu o ministro. Os 45 municípios cujos prefeitos estavam presentes à reunião têm na maioria menos de 10 mil habitantes, e são as comunas médias e pequenas que tratam com mais intensidade, e praticamente corpo a corpo, dos problemas sociais do País. Mas é também verdade que eles podem fazer cortes de despesas de custeio. Ouve-se do povo muitas histórias de abuso de gastos e corrupção. Alguns municípios vêm diminuindo de população e poderão chegar a tal ponto de fragilidade que acabarão retornando à dimensão de distritos - condição da qual não deveriam ter saído.
O Governo federal, que abocanha mais de 60% de toda a receita tributária nacional, deve sim promover mais retorno de dinheiro aos municípios, e de sua vez cada prefeito precisa também iniciar um processo de enxugamento de gastos que podem ser dispensados. E permitir corrupção, nem pensar!





