A recente retomada das invasões de terras volta a causar inquietação nacional, mais ainda depois que o Movimento dos Sem-Terra (MST) anunciou para o mês de abril ''uma jornada de lutas em todo o País'', com ocupação de propriedades rurais e repartições públicas, formação de novos acampamentos em beiras de estradas e ''tolerância zero para os latifúndios''. Não há dúvida de que o interesse é radicalizar e conturbar a paz social, sob o pretexto de que o governo está atrasando a execução do processo de reforma agrária.
O Paraná é um dos Estados atingidos, pois em Lindoeste, próximo de Cascavel, 150 pessoas invadiram a fazenda Santa Clara, de 274 alqueires embora o MST declare que não tem participação nesse caso. Outra invasão ocorrida no Estado foi a de quatro lotes do próprio Assentamento Santa Teresa, também no oeste, depois que assentados os haviam vendido. Aí reside outro ponto crucial do mal engendrado programa de formação agrária, havendo casos em que famílias foram assentadas mas esquecidas e os assentamentos convertidos em favelas rurais.
Está novamente implantado o terrorismo no meio rural, e imaginava-se que isso não iria ocorrer logo no início do novo governo, justamente porque um forte postulado do seu ideário político-governamental é a questão agrária, acreditando-se por isso que o MST lhe daria trégua. A impetuosidade do Movimento dos Sem-Terra parece escapar do controle do governo ora instalado. E causa até surpresa que a retomada das invasões tenha começado mais cedo do que se imaginava.
A ocupação de prédios públicos como o recente caso das mil mulheres operárias, ligadas ao MST, que tomaram a sede do Incra no Recife demonstra que há, de parte desses movimentos, um manifesto clima de confronto e pouca disposição para o diálogo e para a solução do problema agrário. E no Paraná, reitegrações de posses já decididas pela Justiça estão demorando para serem executadas.
Essa inquietação no campo se reimplanta justamente quando a agricultura brasileira anuncia uma supersafra de grãos, com nosso Estado acompanhando esse ritmo. É também o momento em que a receita com a exportação apresenta superávites fantásticos, justamente pela expressiva contribuição da produção rural. Que por isso necessita de segurança, para continuar produzindo na mesma escala.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná

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