Situação insustentável
Depois de quase uma semana sem falar com a imprensa, o prefeito José Joaquim Ribeiro (sem partido) quebrou o silêncio. Afirmou categoricamente que permanece no cargo e que não vai renunciar. Entre outras coisas, disse que agiu de boa-fé e que atuou apenas como ''mensageiro'' do dinheiro recebido de empresários beneficiados em licitação. Ribeiro já havia admitido que recebeu R$ 150 mil em espécie mas, ontem, mudou a versão divulgada pelo Ministério Público e afirmou que entregou toda a quantia ao prefeito cassado Barbosa Neto (PDT).
O anúncio vai totalmente contra os anseios da sociedade civil organizada - Acil, OAB, Sociedade Rural, Arquidiocese - que pede a sua renúncia. Ribeiro confessou aos promotores ter recebido o dinheiro da propina. Se ficou com parte da quantia, repassou ao partido ou ao ex-prefeito para pagamento de dívidas de campanha pouco importa. O que está marcado é o ato de corrupção. Sua imagem está maculada. Na prática política não há espaço para ingenuidade, como ele alega. Até porque receber R$ 150 mil em espécie de um empresário que ele sabia que seria beneficiado em licitação posterior e ainda acreditar que se trata de prática normal e rotineira parece improvável para qualquer pessoa.
O momento pelo qual passa a cidade realmente é de união e todas as entidades com representatividade já manifestaram opinião, que é unânime e diferente da do prefeito. Será que não seria o caso dele próprio considerar esses posicionamentos? Na sua própria visão, ele considera que a sua permanência no cargo implicará menos problemas à cidade, uma vez que o seu tempo de mandato é exíguo: apenas 110 dias. No entanto, qual a governabilidade - e a credibilidade - de um gestor público que admitiu ter recebido (ou apenas transportado) propina?
A Câmara de Vereadores anunciou a abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito baseada no seu depoimento ao Ministério Público. Neste sentido, o que deveria ser avaliado é de fato o que é menos danoso à cidade: levar adiante um novo processo de cassação de um prefeito em poucos meses, uma renúncia ou mais um embróglio judicial. Em todos os casos, a cidade foi novamente manchada pela corrupção.





