Situação do tratamento psiquiátrico
O número de pessoas com transtornos mentais está aumentando em uma proporção que pode ser considerada preocupante. Alguns estudos já admitem estimativas surpreendentes como esta: 25% da população apresenta algum tipo de transtorno, mesmo sem aparente gravidade.
Durante muito tempo, a única alternativa para o tratamento das doenças mentais era a internação dos pacientes - às vezes desnecessárias. O confinamento baixava ainda mais a autoestima das pessoas, que se tornavam vítimas até de violência física.
Há 10 anos o governo decidiu humanizar o tratamento, criando a reforma psiquiátrica. Na teoria, a ideia se aproxima da perfeição. Foram criados os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), com atendimento intensivo (todos os dias); semi-intensivo (alguns dias da semana) e não-intensivo (alguns dias do mês). O objetivo é fazer com que os pacientes voltem para casa todos os dias, evitando a quebra de laços familiares, o que é comum nas internações de longa duração. Há também os centros de atenção especializados no tratamento de dependentes de álcool e drogas e crianças e adolescentes com idade até 17 anos.
Na prática a realidade é diferente. A FOLHA publica hoje uma reportagem de Eli Araújo com os depoimentos de três pessoas que vivenciam o assunto no dia a dia (um diretor de hospital, uma psiquiatra e um secretário de saúde). Os três são unânimes em afirmar que a situação não é tranquila como sugere o Ministério da Saúde. Basta uma visita a um dos poucos hospitais psiquiátricos que ainda existem para se constatar o drama de pessoas que buscam o tratamento de seus entes queridos. Não bastasse isso, ainda vem aumentando de forma significativa o número de alcoólotras e drogados que precisam de tratamento e que, em muitos casos, e por falta de alternativa, procuram os mesmos hospitais.
É importante ficar bem claro que não se trata de defender a volta do regime de internação de uma forma simplista. O fato é que o assunto merece uma posição das lideranças e da sociedade do Paraná.





