''Os dormentes estão podres, os trilhos gastos, os vagões sem reforma, o risco de acidente é cada vez maior''. Palavras do presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná, Luiz Cezar Moro. ''Os maquinistas são homens-bomba, prontos para entrar para a história, qual suicidas iraquianos. Estamos vivendo uma situação de alto risco''. Palavras do presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, Eroni Bertoglio. ''Tem vagão que está circulando sem freio. É um crime o que está acontecendo''. Palavras do presidente da Associação dos Engenheiros do Paraná, Osmar Ribeiro. ''Os vagões estariam transportando excesso de peso''. Palavras do presidente do Sindicato dos Maquinistas Ferroviários do Paraná e Santa Catarina, José Carlos Rodrigues.
Estes pronunciamentos ocorrem em decorrência do descarrilamento que acaba de ocorrer na Serra do Mar, precipitando barranco abaixo 35 vagões carregados de açúcar, milho e farelo de soja. As razões devem ser as apontadas por aquelas autoridades. A América Latina Logística, empresa proprietária da composição e concessionária da malha ferroviária sul, nega os sucateamentos denunciados e diz que todos os trens são controlados por satélite, significando que desta vez os satélites não funcionaram. Também nega a sobrecarga.
Com toda a certeza os titulares daquelas entidades não falariam em vão e nem cometeriam a irresponsabilidade de fazer tais afirmações. Mesmo porque acidentes com trens são frequentes no Paraná. Desta vez não ocorreu grande prejuízo ambiental porque a carga não era tóxica, e também não houve mortes, mas se há denúncia de que os maquinistas são verdadeiros homens-bomba, então os riscos existem e incumbe perguntar que providências serão tomadas, afora as multas, para evitar novas tragédias do gênero.
No Brasil vive-se o problema do sucateamento em muitos setores dos transportes, como este denunciado, mais as rodovias sem conservação, sem acostamento e com deficiente sinalização, a precária estrutura de embarques portuários e a longevidade da frota brasileira de veículos e também de aviões estes agora no noticiário, por atrasos e interrupções de vôos e a indignação dos passageiros. É uma constante situação de insegurança, colocando em risco o meio ambiente, estruturas afins, frotas, cargas, tripulações desses equipamentos e passageiros.

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