Sistema prisional
Em que pese o sistema carcerário brasileiro também tenha como função promover a reinserção do detento à vida em sociedade, é de conhecimento geral que o atual modelo não consegue atingir esse objetivo. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que sete a cada dez libertados voltam ao mundo do crime; é um dos maiores índices do mundo.
Com uma população carcerária também entre as maiores do mundo, segundo o CNJ, cadeias e presídios pouco atuam hoje na ressocialização dos presos. Superlotação e ociosidade são fatores que contribuem para a formação desse cenário. A Lei de Execuções Penais determina que o trabalho do condenado deve atender dever social e condição de dignidade humana e finalidade educativa e produtiva, assim como a assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado.
No entanto, dados do Ministério da Justiça indicam que em 2012 apenas 12,3% dos encarcerados paranaenses trabalhavam, enquanto a média nacional era de 20,4%. Informações da Secretaria de Estado de Justiça do Paraná apontam para o crescimento do índice: no mês passado o percentual era de 17,25%. Já os inseridos em atividades educacionais somavam 33,86% da população carcerária que é formada por cerca de 28,5 mil pessoas.
No entanto, a questão central esbarra, mais uma vez, na falta de educação. Segundo a Comissão de Estabelecimentos Prisionais da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná a maioria dos presos é analfabeta. Sem educação e qualificação profissional há menos oportunidades de bons empregos e, portanto, menos chances de a pessoa melhorar de vida. Desta forma, fica mais fácil um adolescente ou jovem ser cooptado por criminosos. É um ciclo vicioso e, infelizmente, difícil de romper. Somente com investimentos maciços em educação de qualidade é que poderá haver uma mudança de cenário.





