Buenos Aires – O presidente Eduardo Duhalde admitiu ontem que o sistema financeiro argentino corre o risco de explodir com as ordens judiciais que permitem aos correntistas retirar o dinheiro congelado dos bancos desde dezembro. ‘‘Corremos o risco do sistema (financeiro) explodir se os juízes continuarem autorizando a devolução do dinheiro depositado apenas com a apresentação do recurso dos correntistas’’, ressaltou o presidente em seu programa na rádio nacional.
Anteontem, o Banco Central da Argentina (BCRA) decretou feriado bancário e cambial a partir de amanhã, por tempo indeterminado, para evitar um colapso financeiro. A medida deve durar até Parlamento sancionar uma lei que autorize o Executivo a trocar os fundos congelados nos bancos por bônus de dez anos, conhecido como ‘‘Plano Bônus’’.
‘‘É urgente buscar uma solução’’ para o corralito, como se denomina o congelamento dos depósitos, e a equipe econômica ‘‘está trabalhando nas alternativas para sejam apresentadas ao Congresso’’, explicou Duhalde.
O chefe do Gabinete Jorge Capitanich disse ontem, em declarações à rádio, que o projeto para mudar prazos fixos dos bônus será apresentado amanhãa ao Congresso e sua estrutura será definida neste final de semana.
Duhalde se mostrou esperançoso que o feriado bancário dure pouco tempo. Ele ressaltou que a decisão não foi tomada pelo governo, mas pelo Banco Central, que é uma entidade autônoma.
O chefe de Estado garantiu que o governo está estudando medidas para ‘‘proteger’’ os corrente e classificou como ‘‘irregular’’ a ação de alguns juízes em relação à autorização dos saques. O jornal Clarin informou ontem que, somente na sexta-feira, saíram do circuito financeiro 200 milhões de dólares.

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