Curitiba - Uma avalanche de acontecimentos envolvendo a segurança pública vem ganhando destaque na mídia paranaense. A lista é extensa: embate entre representantes de instituições; mudanças no comando de uma das corporações; troca de diversos delegados; denúncias de envolvimento em tortura; suspeitas de formação de quadrilha para desvio de peças de veículos roubados; e um caso polêmico ainda sem solução. Mas como tudo isso gera impacto no sistema como um todo? Como recuperar a confiança da sociedade após denúncias de corrupção dentro da própria Segurança Pública? Para Algacir Mikalovski, delegado da Polícia Federal, mestre em Direito e coordenador geral do Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), esta vulnerabilidade é reflexo de décadas de falta de investimento e da perda de legitimidade das instituições frente à população. "Na realidade todo o sistema de segurança pública está em crise porque as pessoas não estão acreditando mais que os órgãos vão dar uma resposta", ressaltou ele, durante entrevista à FOLHA. Veja trechos:


- Nos últimos meses vários acontecimentos envolvendo a segurança pública chamaram a atenção da população. Casos que não foram resolvidos, denúncias de tortura, desvio de peças de veículos, recentemente a briga entre os comandos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ligado ao Ministério Público, e da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). De que forma tudo isso interfere na confiança da população?

Estamos no ápice de um processo de degeneração do macrossistema de segurança pública no Paraná e no Brasil. Isso é reflexo e resultado de anos de falta de investimento, de perda da legitimidade da população no nosso trabalho. Como que a população legitima um trabalho da polícia? Confiando nos órgãos de segurança. A partir do momento em que você não confia na polícia você tira a legitimidade dela em trabalhar. Você não apoia, não denuncia. Costumo perguntar durante as palestras e aulas porque as pessoas fazem um boletim de ocorrência (BO) se tem uma carteira furtada? Quase todo mundo é unânime em dizer que faz o procedimento porque alguém pode usar os documentos. Não o fazem porque acreditam que a polícia vai investigar e aplicar a lei penal em cima daquele que praticou o furto. Então, quando o novo delegado-geral fala que a Polícia Civil está em crise, na realidade todo o sistema de segurança pública está em crise, porque as pessoas não estão acreditando mais que os órgãos vão dar uma resposta.

Leia a entrevista completa, exclusiva para assinantes FOLHA.

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