O sistema carcerário do Paraná tem sido alvo de debates durante esta semana. Entidades e órgãos sindicais pedem melhorias na estrutura dos Centros de Socioeducação, que atende jovens em conflito com a lei, e das penitenciárias, que têm registrado muitas rebeliões nos últimos meses. A preocupção é com a restrição orçamentária do Estado para o próximo ano.
É fato que não há estrutura adequada para atender a população carcerária. O número de presos cresce em proporções maiores do que a capacidade do Estado de construir presídios. Além disso, é preciso acrescentar que não se trata de um problema local, é uma deficiência que se repete em todos os Estados brasileiros. Anualmente o número de detenções cresce 7% ao ano e a população carcerária está estimada em mais de 600 mil pessoas.
Em média são 300 presos por 100 mil habitantes. Segundo o Sistema Integrado de Informações Penitenciárias, do Ministério da Justiça, foi registrado crescimento de 161% no total de presos desde 2000, quando o País contabilizava cerca de 233 mil encarcerados. Se mantiver esse ritmo, o Brasil terá cerca de 1 milhão de presos em 2022. Os números sugerem que é preciso discutir o atual modelo. É urgente pensar em penas alternativas e em projetos que busquem a reinserção dessas pessoas na sociedade.
Talvez a busca por parcerias com a iniciativa privada possa ser uma solução. É fundamental que os presos exerçam atividades laborais durante o período na carceragem. Desta forma, podem ser capacitados para exercer uma profissão, reduzem o tempo de ociosidade e ainda podem ter parte da pena reduzida. As tornozeleiras eletrônicas também são uma boa solução para presos de menor periculosidade. É preciso buscar modelos que tornem o sistema mais efetivo. É consenso que o atual sistema pouco contribui para a ressocialização dos presos e, por isso, é preciso buscar e desenvolver outras alternativas.

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