Série de reportagens produzida pela FOLHA relata as mazelas do sistema carcerário no Paraná. Superlotação, falta de infraestrutura em distritos e penitenciárias, poucos defensores públicos. Estes são apenas alguns dos problemas enfrentados diariamente pelos envolvidos no sistema carcerário: de presos a delegados. Não existe solução mágica e rápida para minimizar a situação, mas é urgente que seja pensada.
Dados informados apontam que o Estado tem 177 delegacias de polícia onde estão presas cerca de 12.250 pessoas. A Vara de Execuções Penais acumula mais de 20 mil processos para apenas uma juíza. Além disso, as autuações aumentam diariamente. Todo esse cenário torna, de fato, a situação caótica, mas também é resultado de anos sem investimentos na segurança pública como um todo, não apenas no sistema prisional.
O anúncio de que o governo estadual pode implantar tornozeleiras em alguns detentos pode ser uma alternativa para desafogar o sistema prisional a curto prazo. Segundo a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, seria feito o monitoramento de presos condenados, abrindo vagas nas penitenciárias e nas cadeias que abrigam presos provisórios. O aparelho é feito com GPS (Global Positioning System) e dotado de um chip de telefonia móvel, o que permite o rastreamento do condenado em uma área delimitada. No entanto, é preciso cautela antes da instalação do equipamento para garantir à sociedade que a liberdade, ainda que vigiada, não será usada para cometer mais crimes, como frequentemente ocorre quando há benefícios de indultos, por exemplo.
Não é novidade para nenhum cidadão que o atual modelo não atua na recuperação dos presos. A ociosidade, aliada à superlotação e a ''não separação dos presos conforme os crimes cometidos'', estreita a convivência entre os detentos. Por isso, uma das soluções que deveria ser implantada com mais efetividade é o trabalho e os estudos em praticamente todas as penitenciárias. Todos os presos deveriam ter alguma atividade produtiva durante o cumprimento da pena. Além de ajudar no combate à ociosidade, que não é saudável para nenhuma pessoa, o preso pode ganhar uma qualificação profissional e sair mais preparado para entrar no mundo profissional. A educação é fator essencial para reduzir a criminalidade.

mockup