Síndrome de Burnout: desconhecida, mas perigosa
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de março de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Esgotamento, sensação de fracasso, dores de cabeça, insônia, dores musculares e de coluna, lapsos de memória. É difícil encontrar um profissional que nunca teve nenhum desses sintomas, bem comuns para quem enfrenta situações de estresse. Mas quando eles passam a fazer parte da vida do indivíduo constantemente, pode ser que o trabalhador esteja com a Síndrome de Burnout.
A grande dificuldade é identificar a doença, que pode ser confundida com várias outras. Edgard Luiz Westphalen, perito do Estado do Paraná, atende muitos servidores com esses sintomas, mas poucos vêm com o diagnóstico da síndrome.
''A maioria chega diagnosticada como síndrome depressiva, mas daria para enquadrar em Burnout. A principal causa de afastamento dos servidores é ortopédica, mas Burnout está entre as principais'', afirma Westphalen®MDBO¯®MDNM¯.
Os profissionais mais afetados, segundo ele, são professores, trabalhadores da área de segurança e saúde. ''Exige-se que o servidor da saúde dê um tratamento humanizado, mas ele não tem uma contrapartida''.
Segundo o Ministério da Previdência Social, em todo o Brasil, foram afastados 4,2 milhões trabalhadores ano passado, sendo que destes, 3.852 tiveram como motivo a síndrome. Há uma pequena prevalência dos homens: 1.943 homens sobre 1.909 mulheres afetadas. O mal foi identificado pela primeira vez em 1974, nos Estados Unidos, pelo pesquisador Freunderberger.
Segundo a psicóloga clínica e hipnoterapeuta ericksoniana, Adriana de Araújo, o problema está diretamente ligado à atuação do profissional no ambiente de trabalho. ''Atinge pessoas sem antecedentes psicopatológicos. São excessivamente críticas, muito exigentes consigo mesmas e com os outros e que têm maior dificuldade para lidar com situações difíceis'', explica.
A especialista também destaca algumas características individuais que podem incentivar o estabelecimento da síndrome. ''Em geral, são indivíduos que gostam e se envolvem com o que fazem, não medindo esforços para atingir seus próprios objetivos e os da instituição em que atuam. De certa forma, é tudo o que as organizações esperam de um bom profissional'', conclui, lembrando que o ambiente de trabalho e as condições organizacionais são fundamentais para que a doença se desenvolva, mas a sua manifestação depende muito mais da reação individual de cada pessoa frente aos problemas que surgem na rotina.
A síndrome faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID) 10, reconhecida pela Previdência Social. ''É preciso que as empresas se conscientizem da urgência de reavaliar a cultura de exigir dos funcionários metas, às vezes, impossíveis para um ser humano'', alerta a psicóloga.
O tratamento da Síndrome de Burnout é essencialmente psicoterapêutico. Mas, em alguns casos, pode-se lançar mão de medicamentos como os ansiolíticos ou antidepressivos para atenuar a ansiedade e a tensão, sendo sempre necessária a avaliação e, no caso medicamentoso, a prescrição feita por um médico especialista.
''No processo psicoterapêutico, além do enfoque individual para o alívio das dificuldades sentidas, o profissional deve refletir e redimensionar as atitudes relativas ao trabalho, objetivos de vida e cuidados com a auto-estima e com sentimentos mais profundos de aceitação'', orienta Adriana de Araújo.


