SÍNDROME DE BURNOUT - Esgotamento no trabalho gera doença
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Thiago NassifReportagem Local 
Seu trabalho não desperta o interesse de antes, seu estado perante as tarefas diárias é de exaustão e os nervos estão à flor da pele? Não, não se trata de estresse ou depressão. O esgotamento das pessoas causado por sua ocupação ou atividade é uma situação cada vez mais comum e vem recebendo da psicologia e medicina o nome de Síndrome de Burnout. O termo Burnout é uma composição de burn (queima) e out (exterior), sugerindo assim o colapso.
Antes do colapso vir e de a Síndrome se manifestar, é preciso tomar uma série de medidas preventivas. Palestrante da 12 Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT) da FOLHA DE LONDRINA, a residente em gerência dos serviços de enfermagem pela UEL Denise Albieri enumera quais são essas ações e sentencia: a Síndrome de Burnout é uma doença, e, como o ambiente de trabalho remete ao contato com outras pessoas, é importante saber orquestrar ânimos, dissabores e pensamentos. Tudo em busca do equilíbrio.
Quem está mais propenso a entrar em colapso e sofrer dessa Síndrome?
Professores, profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros, equipe de enfermagem e psicólogos são os mais atingidos.
Diz-se que 15% dos professores sofrem com a Síndrome de Burnout. Como detectar as causas?
A principal é o contato com as pessoas relacionadas ao trabalho. Aí está a diferença com o estresse, que pode surgir a partir de qualquer causa relacionada a fatores externos, como problemas pessoais ou fatores momentâneos. No caso de Burnout, a Síndrome é relacionada somente ao trabalho. É uma doença gradativa e correlata às relações interpessoais de empresa.
Num mercado tão competitivo, seria impossível ficar isolado. Como podemos nos prevenir?
Através de programas de educação continuada, voltados a como se relacionar com o público, como prestar um atendimento ao cliente, além de atividades de lazer. Na verdade não há um segredo. São atividades relaxantes mesmo ou de conduta. Sabe-se que muitas vezes o pessoal pode estar em frangalhos, mas, para tentar não levar esses problemas ao ambiente de trabalho, é preciso buscar esse equilíbrio. Por isso que hoje em dia se fala muito sobre relacionamentos interpessoais, interação, para lidar com esse sentimento.
Uma vez detectado o problema, qual o procedimento?
O ideal é detectar precocemente. A conduta é afastamento do trabalho e tratamento psicológico mais medicamentoso.
Além da confusão com o estresse, Burnout muitas vezes não é confundido com depressão?
Sim, e é preciso esclarecer. Burnout são três fatores em conjunto: a exaustão emocional, a despersonalização - a pessoa fica insensível - e a baixa realização no trabalho. Como a pessoa se sente desmotivada e cansada, há a confusão, respectivamente, com depressão e estresse. Esses fatores inter-relacionados geram a Síndrome de Burnout.
As empresas têm se mexido em relação à saúde de seus funcionários?
A área de saúde do trabalhador está crescendo muito. Hoje as empresas têm se preocupado cada vez mais com o trabalhador e não somente com questões de saúde, mas com questões psicológicas, com clima de trabalho. Acredito que as empresas brasileiras não estejam ainda preparadas, mas o processo está caminhando.


