A queda na nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) evidencia dificuldades no sistema educacional brasileiro. No Paraná o índice caiu de 4,2 para 4 pontos na comparação entre 2011 e 2009. A análise normalmente é pessoal, mas alguns fatores (erros) saltam aos olhos: ser educador é ''pintar o mundo de todas as cores; ter o poder de fazer crianças e adultos sorrirem; ajudar a aprender; e ainda é profissão de amor'', etc. Na prática, porém, é ser humilhado pela falta de estrutura, salários e incompreensão.
A única compensação é o reconhecimento por parte dos alunos e pais conscientes. Por isso que parte dos que experimentam desistem logo. Um presidiário com família recebe, geralmente, mais que uma professora de primeiro e segundo graus, sem trabalhar. Uma série de fatores torna a arte de educar um desafio.
Salários vergonhosos: o salário dos professores é vergonhoso. Não compensa ser professor. Trabalha-se demais e ganha-se pouco, e ainda se fizer o que os pais deveriam fazer, acaba processado e execrado publicamente. Exemplo: o salário de um político é 25 vezes maior que o de um professor, e o educador trabalha muito mais.
Falta de estrutura: salas de aulas precárias. A maioria dos professores ainda utiliza o cuspe e giz. O material é racionado ou inexistente, as bibliotecas estão ultrapassadas e até inexistentes, sem recursos de multimídia, sem segurança, etc.
Pedagogia equivocada: ''o aluno pode tudo''. Os pais transferem ao professor suas responsabilidades, mas não lhes dão autoridade. Quando precisam impor limites, os pais fazem passeatas, vão à televisão e o professor sequer tem a justa chance de defesa. É preciso entender que aprender é chato, exige esforço, motivação vem da própria pessoa, não se ensina a quem não está disposto a aprender. Os pais têm que exigir um desempenho mínimo dos filhos. Parte das escolas pune o professor disciplinador. Existem ainda os ''conselhos'' que passam alunos com o objetivo, geralmente, de atingir metas de autoridades que negaram os recursos.
Incompetência política: as autoridades querem quantidade no lugar de qualidade, vide as ''cotas'' de alunos que têm que ser aprovados. As outras ''cotas'', então... A verba destinada à educação é mínima e as condições são péssimas. Tem que ministrar aulas em vários lugares, perde-se tempo com chamada, deslocamento e a quantidade de aula mesmo é insuficiente. Portanto, as políticas educacionais estão erradas. Quando precisam de um bode-expiatório os mais próximos são os professores, pobreza e o tráfico. Não seria mais correto olhar para o próprio umbigo?
Termino com três observações. Alguns pseudoeducadores dizem ''precisamos modernizar as aulas e utilizar novos recursos'', mas nunca dizem o que e como, e sequer têm o bom senso de analisar o acima descrito e todo o contexto. Vinte anos atrás o ensino público era melhor que o particular, o que aconteceu? Segundo: algo que tirei de uma proposta de um diretor de uma grande faculdade de Londrina: ''Vamos pagar salário mínimo aos professores de ensino superior''. Ser professor é para idealistas, financeiramente é a pior opção. Por fim, o governo precisa parar de incentivar o ''ócio'' e investir, verdadeiramente, no básico: educação, saúde e segurança.

ADALBERTO BRANDALIZE é professor em Londrina

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