A confirmação de um foco de febre aftosa em uma fazenda do Paraguai deixou em estado de alerta os pecuaristas brasileiros, especialmente, do Paraná e Mato Grosso do Sul. As autoridades anunciam medidas para conter uma possível infestação da doença por aqui. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou a imediata suspensão da importação da carne paraguaia. O governo federal vai reforçar ainda a fiscalização na região de fronteira.
À imprensa, os ''ganaderos'' paraguaios acusam as autoridades de omissão e criticam a ''irresponsabilidade'' do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) em relação à fiscalização sanitária. A uma rádio do departamento onde foram registrados os focos, o presidente da Associação dos Criadores de Canindeyú, Agustín Pio Ramírez, rasgou o verbo contra o presidente da Senacsa, Daniel Rojas. ''Nos mandam como fiscais eletricistas e engraxates, que nem sabem que as vacas têm quatro patas'', disparou. Ele também reclamou que o Senacsa cobra taxa de 2 mil guaranis (ou R$ 0,80) para cada animal vistoriado. ''Vamos pleitear a inconstitucionalidade da cobrança e discutir a privatização do trabalho'', afirmou. A oposição aproveitou também para destilar seu veneno contra o governo Lugo, que ontem declarou emergência sanitária na região do foco.
No Brasil, a Secretaria de Agricultura do Paraná também já definiu estratégias para ampliar o controle fitossanitário nas divisas com o país vizinho. Tudo para evitar uma danosa contaminação do rebanho paranaense que deixaria o Estado em situação crítica quanto ao objetivo de obter o status de área livre de aftosa sem vacinação a partir 2013. Os pecuaristas e a indústria da carne paranaenses ainda sofrem os efeitos nefastos da suspeita de contaminação da aftosa em parte do rebanho bovino em 2005. Houve prejuízos incalculáveis não só para a cadeia produtiva, como para o próprio governo estadual que deixou de arrecadar tributos com o veto à exportação da carne produzida no Paraná.
Não custa lembrar ainda que em setembro do ano passado o Paraguai já havia detectado foco da doença em seu rebanho. Pelo histórico paraguaio, as medidas de vigilância na fronteira com o país vizinho deveriam ser permanentes e não só em momentos de crise como agora. Entre as medidas anunciadas pelo Mapa destacam-se a volta da desinfecção dos veículos vindos do Paraguai e a suspensão de todos os eventos agropecuários no Mato Grosso do Sul. Imaginem, por exemplo, se a doença não for contida e o problema se estender no ano todo? Toda a cadeia produtiva poderia ser afetada. Portanto, pecuaristas e entidades ligadas ao agronegócio devem se unir e cobrar prontidão das autoridades sanitárias na fronteira para impedir a entrada da aftosa no país.

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