Após um período de queda, a taxa de mortalidade infantil voltou a subir no Brasil. Em junho, a Folha de Londrina já havia feito uma reportagem sobre o crescimento da taxa de mortes de crianças até um ano de vida. Mas o tema voltou à pauta nesta quarta-feira (22), depois que uma equipe da Secretaria de Saúde de Londrina apresentou o panorama da mortalidade materno-infantil na cidade, dando conta de que os casos vêm aumentando no município de Londrina. Em 2018, de janeiro a julho, foram registrados 50 óbitos de menores de um ano de idade, o que significa um CMI (Coeficiente de Mortalidade Infantil) de 12,1 mortes a cada mil nascidos vivos. Os dados apontam ainda que 50% das mortes registradas neste ano são consideradas evitáveis, mais do que em 2017, quando 33,6% das 77 mortes foram consideradas evitáveis. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, basta comparar com índices de 2015, quando o coeficiente foi de 8,6 a cada mil nascidos vivos. Em países desenvolvidos, o índice é de cinco mortes a cada mil nascidos vivos. Mas a Organização Mundial de Saúde coloca como aceitáveis dez mortes a cada mil nascidos vivos.

Com a apresentação desse triste cenário, a Secretaria de Saúde pretende chamar a atenção para o problema, discutir e organizar uma ação conjunta de enfrentamento para a redução dos índices, integrando serviços públicos e privados. Segundo o Comitê Municipal de Prevenção de Mortalidade Materno-Infantil, 90% das causas potencialmente evitáveis estão relacionadas às afecções maternas na gestação (hipertensão e infecções) e ao parto (hemorragias e anóxia neonatal). Em entrevista à FOLHA, a gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Londrina, Maria Fátima Tomimatsu, lembrou que o problema acontece em todo o Brasil e comentou que é difícil apontar uma única causa para o aumento das mortes.

No ano passado, autoridades da área de saúde infantil alertavam que a crise econômica brasileira provocaria o aumento das taxas de mortalidade infantil. A crise aliada a questões como escassez de recursos públicos e cortes em determinados programas sociais interferem nesses números. A solução passa por vários caminhos, como educação, treinamento de equipes de saúde e recursos financeiros aplicados à melhoria da saúde pública. O Brasil precisa investir na vida das crianças.

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