Sinais positivos
Em que medida podemos acreditar na possibilidade de melhoria da situação econômica ainda no corrente ano? Encontrei uma tentativa de resposta ao ler terça-feira passada na ‘‘Folha de S. Paulo’’ o artigo do jornalista Celso Pinto, sem nenhum favor, um dos mais competentes e equilibrados comentaristas econômicos da imprensa brasileira. Diz ele: ‘‘... As projeções, em geral, são de uma recuperação mais firme no segundo semestre, ajudada por quedas adicionais de juros (supondo tranquilidade externa). O ano deverá ser bem melhor do que se imaginava, mas não será uma ladeira sem buracos’’.
Assino embaixo. A dificuldade fundamental, visceral, que impedia qualquer tentativa de recuperação do crescimento econômico, foi afastada quando se corrigiu, em janeiro deste ano, a política cambial. A flutuação da taxa de câmbio libertou a economia da submissão à abstrusa política de altos juros que durante 50 meses restringiu a produção e as exportações, amplificando a tragédia do desemprego e as tensões sociais. O fato positivo que estamos assistindo desde janeiro é a queda persistente das taxas de juros, o que nos permite, então, identificar os primeiros sinais de que será possível uma reativação da atividade econômica no segundo semestre de 1999.
Existe essa possibilidade, mas precisamos saltar os buracos da ladeira a que se refere Celso Pinto. Quais são essas dificuldades? São três os obstáculos que devemos superar, todos eles dependendo de uma postura mais ativa do governo federal na persecução dos seguintes objetivos:
1) Promover o rápido crescimento das exportações. É preciso que as exportações retomem o dinamismo, produzindo superávits e antecipando-se à retomada da atividade econômica, quando as importações voltam a pressionar a balança comercial. Se as exportações não crescerem, logo estaremos enfrentando nova crise externa e o desenvolvimento será paralisado mais uma vez.
Por esse motivo, o governo tem que se tornar extremamente agressivo na concessão de estímulos de natureza creditícia e fiscal aos setores potencialmente exportadores. É preciso utilizar toda a capilaridade que o Banco do Brasil possui no interior do País, indo ao encontro das empresas e oferecendo-lhes condições de recuperação de seu capital de giro, para que elas voltem a produzir e a exportar. Os gerentes do Banco do Brasil devem ser motivados a agir com esse objetivo. Para minha satisfação, soube na última semana que os gerentes e superintendentes regionais estão sendo chamados para reuniões com a diretoria do Banco para tratar do assunto.
2) Dar todo o suporte ao setor agrícola. Precisamos aumentar a área de plantio e manter os estímulos para ampliar os ganhos de produtividade. A agricultura é o setor que exige menor soma de recursos e o que dá maior e mais rápido retorno. Uma colheita maior no próximo verão será um fator decisivo para a retomada do crescimento e para o aumento das exportações.
3) Estabilizar o nível da dívida interna líquida em relação ao PIB. É preciso não descuidar do ajuste fiscal e manter o esforço para a obtenção de um superávit primário de 3% a 3,5% do PIB:
Bem administrados esses três problemas, a economia voltará a crescer e prover empregos para nossa gente.
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPB-SP e presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara Federal

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