Sinais de recuperação
As bolsas são um bom termômetro aferidor da performance das empresas e do mercado. Bolsas não fecham na alta em tempo de crise. Ontem, primeiro dia da última semana do ano, os principais mercados europeus fecharam em novas máximas, em 14 meses - quase a mesma idade da eclosão da crise que começou com a quebra, inacreditável, do banco americano de investimentos Lehmann Brothers.
Nada de extraordinário nesta reação de ontem, se 2009 não fosse marcado por uma grande crise no mercado financeiro. Aliás, o mercado acionário tem dado sinais positivos também no Brasil, puxado pelo índice Bovespa.
Porém, o comportamento efêmero das bolsas está longe de contrapor os efeitos devastadores da bancarrota daquele que foi símbolo da pujança dos EUA. As consequências continuarão sendo sentidas ainda por muito tempo, previu neste final de semana José Angel Gurría, secretário Geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Não considerando as análises de agentes econômicos brasileiros, otimistas por conveniência, podemos dizer que a avaliação Gurría não está fora de propósito. Ele acha, por exemplo, que o mundo capitalista teve uma perda de riqueza e bem-estar enormes este ano. Mas, em contrapartida, acredita num sistema financeiro mais sólido.
E uma frase que ajuda a interpretar um problema de gestão. Disse José Angel Gurría: ''O sistema monetário tornou-se frágil porque começou a se misturar com o alto risco dos bancos de investimento''. E num momento em que fala-se tanto em bolha, o analista vê riscos de bolha também no câmbio.
Hoje não há mais quem não seja vulnerável. Após a quebra do Lehmann Brothers, as grandes economias mundiais não estão blindadas. Mas, com certeza, bolhas podem ocorrer com maior intensidade em países de economia emergente.
Pois então que sirva de alerta para o Brasil. É preciso evitar que o ano político contamine o ano econômico. O primeiro sinal de alerta tem que ser dado sobre os preços. Sabe por quê? O governo alardeou o aumento real de salário mínimo. Por conta disso, o varejo já mostrou sua disposição para remarcar.





