Sinais de reação na indústria de máquinas
Os jornais devem destacar hoje o desempenho da indústria de bens de capital. O comportamento deste setor - indústria de equipamentos industriais - é interessante porque pode ser usado como parâmetro aferidor das atividades de outros segmentos industriais. Assim, se a indústria de bens de capital está sendo demandada (pela agroindústria, por exemplo) é porque também aquele setor industrial vai bem.
Ressalve-se que, embora a indústria de bens de capital atenda demandas de indústrias de qualquer natureza, não significa, necesariamente, que a produção industrial está deslanchando por inteiro. No Paraná, por exemplo, a agroindústria é sazonal. Diferente da indústria de confecções - também forte em nosso Estado - que tem demanda programada mas sua produção e regular no ano inteiro.
Mesmo assim, o indicador vindo de outro setor industrial é mais
confiável. Da mesma forma que o gasto de energia é indicador fiel do desempenho da indústria como um todo.
O IBGE, que fez a pesquisa, coloca como um dos destaques a produção de caminhões, fomentada simultaneamente pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e pelo lançamento de uma linha de crédito com juros mais baixos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Ambas as medidas ficam em vigor até o fim do ano.
Estamos falando de recuperação, saída da crise, e não de expansão histórica. Mas esta reação merece ser observada. Afinal, pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2008, a produção de máquinas e equipamentos teve expansão em relação ao trimestre anterior, de 6,1%. O incremento, contudo, não foi suficiente para levar o segmento a um patamar próximo ao do período pré-crise: a produção de setembro deste ano ainda é 20,5% menor do que a de setembro do ano passado.
A expansão dos bens de capital deve ser vista como um bom sinal. O impulso dessa categoria - como explica o IBGE - confirma a recuperação recente do setor de investimento, que, de acordo com dados do PIB, teve no segundo trimestre do ano a maior queda da série histórica.
Seja como for, qualquer sinal de recuperação - quando as previsões eram de que a crise se continuaria por mais 18 meses - autoriza prognósticos otimistas e estímulos em investimentos produtivos.





