Sinais de melhora na economia brasileira
Se alguns males vêm para o bem, então não são propriamente males. Fala-se da crise gerada pela quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, que no mínimo serviu de lição para as demais instituições bancárias, agora mais precavidas e menos tendentes a aventuras. E não apenas elas mas também os governos e todos os setores da atividade produtiva mundial.
Demissões podem ser medidas precipitadas, por tanger os trabalhadores, sinônimos de famílias e outros dependentes que entram em situação de insegurança e de pânico se de repente lhes falta a base de sustentação. Férias coletivas e contenções em outros setores da gestão empresarial são mais recomendáveis do que a atitude radical de colocar pessoas na dramática situação do desemprego. Ressalvados os casos de fechamento de empresas e outros de gravidade extrema, segurar o impacto da crise significa também preservar o ganho dos empregados.
O analista Celso Ming, que escreve para este Jornal, afirma que há sinais de melhora da economia brasileira. Janeiro mostrou um bom resultado na balança comercial, embora sem reverter o déficit do mês. Houve reação positiva dos exportadores, principalmente por estarem chegando aos portos os produtos da substancial safra agrícola, mesmo um pouco diminuída ante o que estava previsto. A redução do imposto que incide sobre os produtos industrializados foi uma boa alavancagem para a produção e venda de automóveis, embora a estagnação na comercialização de caminhões e colheitadeiras. Se novembro e dezembro foram meses ruins para os negócios em geral ressalvadas as vendas ditas natalinas deve-se saber que para certos segmentos estes são meses sempre críticos. O Governo precisa segurar os níveis daquele imposto e conter a ganância em outros mais, dessa forma propiciando que mais dinheiro fique no meio circulante e dinamize a economia. E agora o Banco Central anuncia que as concessões de crédito já retornaram aos níveis anteriores à crise.
A montadora japonesa de veículos Nissan tem feito demissões em todo o mundo mas anuncia que não fará isto no Brasil. Esta decisão se traduz por confiança no País. A China se recupera, e pelo fato de ter 1 bilhão e 600 milhões de consumidores, isto representa um alento. E no Brasil tem havido uma boa reação nos negócios de ações e o mercado interno continua ativo. Se os pontos bons forem realçados e for contido o pessimismo próprio dos descrentes, a confiança logo se restabelecerá.





