Sinais de inflação são nítidos
De todos os lados chegam previsões sobre o risco de aumento da inflação para o segundo semestre. Mas os primeiros sinais já apontam ''acomodações de preços'' no mês de maio. A decisão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de retomar o comando da política monetária (já analisada aqui como medida de cautela e bom senso) aponta que o governo concorda com as previsões de economistas do setor privado (agora também os do governo). Meirelles, cujos planos políticos não vingaram, ''voltou correndo'' para o gabinete para retomar o comando da política monetária. Em ano eleitoral, o controle da inflação exige pulso e conhecimento.
Depois de uma previsão do Banco Central de aumento na inflação, foi a vez dos economistas ouvidos pela instituição reverem as perspectivas para este ano. No relatório Focus divulgado ontem os profissionais aumentaram de 5,16% para 5,18% a estimativa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2010. Esta é a 11ª vez que o índice é revisto para cima. O relatório Focus também aponta aumento de inflação para 2011. O índice subiu de 4,7% no último levantamento para 4,74%.
Os economistas mantiveram as expectativas de elevação para a taxa básica de juros (Selic). Segundo relatório, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve reajustar para 9,25% os juros básicos na próxima reunião em abril. Economistas disseram à Folhapress acreditam em uma taxa de 11,25% para o final do ano e de 11% para 2011. Segundo o relatório, o PIB cresce menos: 5,52% em 2010. O Banco Central prevê crescimento de 5,8%.
As revisões do Boletim Focus seguem as previsões dos próprios técnicos do Banco Central. Na ultima semana, o Relatório Trimestral de Inflação elevou o patamar esperado para a inflação neste ano. O texto apontou IPCA em 5,2% para 2010 e 4,9% para 2011.
Os principais elementos apontados como fatores de pressão nos preços foram a demanda interna aquecida, aumento da utilização da capacidade instalada da indústria e uma recuperação no preço das commodities. As repetidas elevações dos economistas na previsão de inflação do Relatório Focus se somam às projeções do Banco Central e devem servir de argumento para justificar a revisão da Selic na próxima reunião do Copom.





