A construção civil está empregando menos, a julgar pelo fechamento dos números do primeiro trimestre. Este não é o principal parâmetro aferidor de recessão econômica e não autoriza prognósticos pessimistas. Mas há outros indicadores que sinalizam a aproximação de uma fase de dificuldades para os brasileiros. Um deles é a própria inflação. Medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação avançou para 0,87% em abril. Trata-se de uma das maiores taxas. Isto, aliás, mostra outra faceta da espiral de insucesso desta política econômica, calcada nos juros altos. Os juros inibiram o consumo mas não estão segurando a inflação. É o sacrifício sem contrapartida. Como o governo tem mais sorte do que juízo, pode-se prever que pelo menos o abastecimento está garantido, já que até três semanas atrás havia preocupação com os efeitos da seca. Mas é na política cambial e nas taxas de juros que a economia expõe toda sua fragilidade, expressa, por exemplo, no crescimento dos juros básicos a uma velocidade que absorve todo o superávit primário e abocanha as reservas do País. Com juros reais de 13% ao ano (taxa Selic menos inflação) sobram poucos recursos para o governo investir. E investimentos, nesta altura, seriam a arma do governo para oxigenar a economia e gerar empregos. Com uma máquina administrativa emperrada, onerosa e anacrônica e um cenário adverso investimentos são impraticáveis. Resta, como alternativa desesperadora, manter os juros altos para impedir a fuga de capital do investidor especulativo. Mas isto também tem um limite porque taxas muito altas sugerem risco. E o especulador sabe que isto é elementar. Convenhamos que para os bancos, por exemplo, está ótimo: eles captam no mercado internacional a 4,5% e aplicam no Brasil a 19,5%. A lógica do círculo vicioso é esta: juros altos para garantir o capital especulativo que, por sua vez, quer aumentar o lucro para compensar o risco. E as reservas vão se esvaindo. Num cenário desses, em 1998, o Brasil praticou taxas que pularam de 23% para 47% ao ano. Só que naquele momento ao contrário do que acontece hoje não havia a inflação para conspirar contra a economia. O melhor que o governo tem a fazer é ir abandonando sua política monetarista e flexibilizar as taxas de juros para investimentos internos reais construção civil, setores primário e prestação de serviços, entre outros. E parar de nutrir preconceitos contra o agronegócio, o forte traço da concepção petista que só atrapalha.

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